Erguido no endereço do lendário Mirabelle, este duplex traduz o espírito intemporal de Mayfair numa linguagem mid-century calorosa e profundamente habitável, pelas mãos do ateliê De Rosee Sa.
Projeto: De Rosee Sa | Fotografias: 60 Curzon | Texto: Isabel Pilar de Figueiredo
Erguido no local onde outrora funcionou o icónico restaurante Mirabelle, ponto de encontro de figuras como Elizabeth Taylor e Winston Churchill, este apartamento recupera o glamour cultural associado a este endereço e é distribuído por dois pisos, com ligação direta a um jardim comum inspirado nas florestas inglesas, concebido pelos paisagistas Gustafson Porter + Bowman.



O projeto de interiores do ateliê De Rosee Sa estabelece um diálogo subtil com a arquitetura do edifício assinada por Thierry W. Despont, nome lendário associado a referências como o Claridge’s London, o Ritz Paris ou o The Carlyle, em Nova Iorque. A intervenção do De Rosee Sa constrói-se através de uma narrativa de texturas, tons e escalas, introduzindo uma paleta mid-century modern sofisticada, pontuada por influências vintage e um ritmo arquitetónico cuidadosamente orquestrado. O resultado é uma atmosfera de luxo sereno, pensada para um residente culturalmente curioso e sensível ao detalhe.





Com cerca de 423 metros quadrados e três quartos, a casa abre com uma entrada elegante que cria um imediato sentido de chegada. Um lobby generoso, marcado por uma consola em bronze de Robin Myerscough e um espelho de efeito antigo, conduz à sala de estar de pé-direito duplo, onde a luz natural e a fluidez espacial definem a experiência. As paredes, revestidas com papel Manila Hemp da Philip Jeffries, oferecem um pano de fundo neutro para apontamentos cromáticos em azul cerúleo, rosa empoeirado e vermelhos profundos.



Tapetes feitos por medida e mobiliário cuidadosamente selecionado, como a mesa de centro em mármore Arabescato Orobico Grigio, cadeirões em nogueira e bancos em veludo cor de castanha, organizam as diferentes zonas da sala, mantendo continuidade visual. Emoldurado pelas vistas verdes do jardim, um piano de cauda afirma-se como peça escultórica central, evocando a dimensão social imaginada pelo atelier.





A cozinha e a sala de TV adjacente funcionam como o duplo coração da casa, reinterpretando o artesanato tradicional inglês através de uma lente contemporânea. Armários em azul “bone china”, superfícies em mármore branco e candeeiros pendentes em rattan, da GUBI, introduzem leveza, contrastando com as texturas mais densas das áreas sociais. A sala de TV, com paredes em verde-azulado, um sofá em U cor de rosa velho desenhado à medida, estantes em nogueira e um candeeiro Sputnik em latão dos anos 50, cria um ambiente simultaneamente acolhedor e vibrante, em ligação direta com o jardim.







No piso superior, os três quartos prolongam o jogo de sobreposições cromáticas e materiais. A suíte principal destaca-se pela daybed em veludo, pelas portas de roupeiro revestidas com tecido Iris da Dedar e pelas paredes com acabamento limewash da Bauwerk, compondo um retiro sereno e tátil. Nos restantes quartos, peças vintage e obras de arte selecionadas acrescentam personalidade e profundidade narrativa.







O mobiliário feito por medida é complementado por uma curadoria artística que cruza galerias contemporâneas e peças vintage, evocando a forma orgânica como uma coleção doméstica se constrói ao longo do tempo. Obras de artistas como Jon Harvey, Philip Maltman e Kim Bartelt reforçam a riqueza visual dos interiores, acrescentando camadas de leitura ao espaço.

