No coração de um dos poucos fragmentos sobreviventes da Recco histórica, este projeto de reabilitação transforma uma propriedade heterogénea numa única residência generosa, integrada na paisagem e no ambiente.
Fotografia: Anna Positano, Gaia Cambiaggi | Studio Campo Projeto: Gosplan + Giordano Hadamik Architects + caarpa + studio.skey
É o parque pré-existente, com vista direta para a Baía dos Frades, que orienta a intervenção: um sistema natural ainda intacto, que conduz as escolhas projetuais para um equilíbrio orgânico entre construção e natureza, evitando gestos icónicos e privilegiando a continuidade, a medida e o diálogo com o lugar.
O projeto nasce da paisagem e desenvolve-se a partir do desenho original do jardim em socalcos, da topografia e da vegetação mediterrânica, evitando gestos formais e recompondo o existente de forma orgânica. Quatro anos de trabalho contínuo — entre projeto, processos de licenciamento e obra — dão forma a uma casa silenciosa e imersiva, onde cada escolha é calibrada em diálogo direto com o contexto.
A villa ergue-se num promontório voltado para a Baía dos Frades, na zona oriental de Recco (Itália, região da Ligúria), numa das raras áreas que permaneceram intactas após os bombardeamentos de 1943.
Aqui, entre o verde denso da vegetação mediterrânica e uma costa ainda morfologicamente preservada, uma intervenção integrada de arquitetura, paisagem e interiores devolve coerência e medida a uma propriedade fragmentada, transformando-a numa residência de 730 m² inserida num parque com mais de 4.500 m².
O edifício existente, composto por vários volumes heterogéneos, era resultado de transformações progressivas ao longo das décadas. O novo projeto opta por não contrapor um gesto formal a esta estratificação, mas sim definir a residência a partir da paisagem: do desenho original do jardim em socalcos, da vegetação autóctone consolidada e da topografia do lugar.
O resultado é um processo de recomposição orgânica, em que a arquitetura se deixa orientar pelo terreno, pelos percursos, pela luz e pela forte presença do mar, assumindo um caráter discreto mas profundamente enraizado.
O projeto arquitetónico, desenvolvido por Gosplan e Giordano Hadamik Architects, tomou forma em estreita colaboração com Caarpa Architettura Paesaggio, que desde as fases iniciais definiu a estrutura paisagística como matriz da intervenção.
A nova configuração do parque organiza-se em socalcos e percursos sinuosos em pedra e mármore Botticino, acompanhando a pendente natural sem alterar a sua geometria. Uma piscina retrátil, que pode transformar-se numa superfície contínua transitável, integra-se discretamente na paisagem, como um plano de água que desliza em direção ao mar. Uma loggia envidraçada prolonga a casa na natureza.

No interior, o studio.skey desenvolveu um conceito essencial para mobiliário, arte e styling que enfatiza a continuidade: peças feitas à medida, materiais táteis, acabamentos naturais e tons suaves criam uma atmosfera tranquila e íntima, mantendo sempre a ligação ao exterior. Cada espaço é concebido como uma transição — entre interior e exterior, abertura e recolhimento — num equilíbrio material e sensorial que reflete a identidade do lugar.


O edifício apresenta uma composição eclética e irregular, com volumes distintos. Apesar disso, possui uma riqueza espacial significativa e uma forte relação potencial com o parque envolvente.


O projeto de reabilitação (2020) teve como objetivo unificar quatro unidades existentes numa única residência e reforçar a integração com a paisagem. A intervenção foi pensada como um projeto de paisagem: mais do que afirmar a arquitetura, procurou-se suavizar a sua presença e fortalecer a ligação interior-exterior.
Os interiores privilegiam materiais naturais — mármore Botticino, cal, madeira — e mobiliário à medida, criando uma linguagem coerente e intemporal. O design combina peças contemporâneas com elementos vintage, reforçando uma estética minimalista e sofisticada.




A piscina, elemento central do projeto, estabelece uma relação geométrica com o promontório e pode desaparecer completamente, transformando-se em terraço. O salão principal funciona como uma grande loggia com 5 metros de altura, dissolvendo os limites entre casa e jardim.
O paisagismo evolui gradualmente: desde zonas mais estruturadas junto à casa até áreas mais naturais próximas do mar, com olivais, vegetação mediterrânica e espécies aromáticas que evocam a paisagem rural da Ligúria.
















