Por a 9 Maio 2026

Um apartamento pensado para viver a dois, assente no equilíbrio entre convívio e privacidade. Pelo coletivo 222 Arquitetura.

Fotografia: Estudiony18

O Projeto FH, assinado pelo ateliê 222 Arquitetura, nasce como resposta a uma nova fase da vida: a de um jovem casal recém-casado, um arquiteto e um médico, que procurava transformar o seu quotidiano num espaço mais funcional, confortável e adaptado às suas rotinas distintas. Localizado na Vila Madalena, em São Paulo, o apartamento de 150 m² foi concebido em apenas 30 dias, com a obra planeada ao longo de oito meses, entre março e dezembro de 2024.

Desde o início, o desafio foi claro: criar um ambiente que equilibrasse integração e privacidade. O casal valoriza momentos de convívio e, como tal, desejava uma área social fluida e acolhedora para receber amigos e familiares, sem abdicar de espaços reservados que permitissem concentração e descanso. Assim, o projeto organiza-se a partir de uma planta que articula uma zona de estar ampla, com cozinha e sala de jantar integradas, além de uma área íntima, mais resguardada, composta por master suite, closet independente, duas casas de banho e um espaço de trabalho isolado.

Mais do que uma simples adaptação, este projeto representa uma evolução natural de linguagem. Um dos moradores já havia concebido anteriormente o seu primeiro apartamento — marcado por uma estética mais experimental e contrastante — e agora, neste novo capítulo, o design reflete maturidade e equilíbrio. Surge, então, um conceito orientador: a intemporalidade.

A paleta cromática baseia-se em tons neutros como off-white, bege, cinza claro e madeira, criando um pano de fundo elegante e duradouro. Pontos de cor em terracota e verde-oliva introduzem personalidade, enquanto o preto surge pontualmente como elemento de contraste e coesão visual. O resultado é uma atmosfera sofisticada, acolhedora e subtilmente expressiva.

Outro eixo fundamental do projeto é a fusão entre brasilidade, tropicalidade e estética urbana. Materiais naturais, vegetação e texturas orgânicas dialogam com acabamentos contemporâneos, criando um ambiente onde o frescor e a leveza convivem com a sofisticação da vida urbana. Essa integração manifesta-se tanto na escolha dos materiais como na forma como os espaços se abrem para a luz e para a presença do verde.

Apesar de se tratar de um edifício novo, foram realizadas intervenções estratégicas para adequar o layout às necessidades do casal. A principal transformação foi a eliminação de uma suíte de hóspedes para ampliar a zona de estar, tornando a área social mais generosa. O antigo WC dessa suíte foi incorporado na master suite, duplicando a sua dimensão e proporcionando maior conforto. Também foi criada uma solução arquitetónica para ocultar parcialmente a cozinha, com um nicho que integra o frigorífico e garante uma estética mais limpa.

Os ambientes revelam um cuidado minucioso no detalhe. A cozinha aposta numa linguagem monocromática sofisticada, com marcenaria em laca metalizada que dialoga com pedra e piso em tons semelhantes, criando continuidade visual. Na sala, o destaque vai para o piso de paginação irregular, desenhado peça a peça, que remete para pátios externos e introduz uma rusticidade subtil. Já a suíte é um refúgio acolhedor, onde o uso generoso da madeira reforça a sensação de conforto e intimidade.

No WC principal, o revestimento inspirado no travertino Navona cria uma superfície contínua e texturada, valorizada por iluminação indireta que acentua o relevo e gera uma atmosfera relaxante. O lavabo social, por sua vez, incorpora palha natural nas paredes, reforçando a identidade tropical do projeto com elegância e autenticidade.

A iluminação foi pensada de forma estratégica, privilegiando luz indireta e reduzindo ao mínimo os pontos no teto. A automação permite ajustar intensidade e temperatura ao longo do dia, favorecendo o bem-estar e contribuindo para a qualidade do descanso. À noite, a luz suaviza-se progressivamente, acompanhando o ritmo natural do corpo.

O projeto também incorpora soluções sustentáveis, como o uso de materiais reaproveitados e de origem responsável: tapetes produzidos a partir de redes de pesca recicladas, sofás com lona reutilizada e madeira de reflorestamento em elementos de marcenaria.

Entre os principais desafios, destacou-se a organização da área íntima, especialmente no desenho de um WC amplo que pudesse ser utilizado simultaneamente sem comprometer a privacidade e de um closet funcional que permitisse uso independente. A inclusão de um escritório isolado também foi essencial para acomodar as rotinas distintas dos moradores.

“O Projeto FH traduz-se num espaço equilibrado e sensível, onde arquitetura e interiores acompanham o ritmo de vida dos seus habitantes. Um lar pensado para evoluir com o tempo, conciliando conforto, identidade e uma elegância discreta”.