A poucos quilómetros de Lisboa, esta casa reencontrou a sua alma romântica com o ousado projeto de renovação assinado por Gaya de Almeida Araújo. Rosa, amarelo são as cores em destaque.

Texto: Isabel Figueiredo / Fotografia: Ricardo Oliveira Alves

A decoradora de interiores Gaya de Almeida Araújo é a responsável pelo projeto de total renovação dos interiores e exteriores desta casa, onde o respeito pela sua antiguidade – data dos anos 40 –, incluindo os elementos que refletem a sua época e o recurso à cor são os fatores a destacar.

Inspirada pelos interiores ‘haute couture’ parisienses, a decoração de Gaya reflete as suas experiências de vida e influências das passagens por cidades onde viveu e trabalhou como Paris, Lisboa, Nova Iorque e Los Angeles.

Situada a poucos quilómetros de Lisboa, numa zona densamente arborizada, tranquila e rica em edifícios de arquitetura romântica, a casa é um reduto de paz onde hoje habitam uma mãe e o filho. O objetivo foi, desde o início, renovar e recuperar, dar nova vida ao edifício existente mantendo a nobreza e características do mesmo.

Renovar e recuperar, porque se substituiu o velho e em mau estado pelo novo – caso dos puxadores e interruptores de época, por outros, novos, mas boas cópias encontradas por Gaya, bem como os sistemas de canalização e eletricidade, inteiramente refeitos.

O plano da casa também foi alvo de alterações. No sótão existem hoje uma suíte com casa de banho e um closet ao lado, destinados ao filho.

O piso intermédio foi alvo de restruturações e onde antes existiam seis pequenos espaços hoje alojam-se uma grande suíte com closet e casa de banho, e ainda um escritório e uma salinha de televisão, dando a esta zona da casa mais amplitude, novas funcionalidades e boas entradas de luz natural.

No piso de baixo há espaço para uma sala comum com 50m2, a cozinha, a casa de banho de visitas e uma lavandaria sendo este, com efeito, um dos mais destacáveis trabalhos de Gaya, a redistribuição e nova divisão dos espaços, “de mudar as portas de lugar, por exemplo, incluindo-se algumas de correr”, para menos ocupação de espaço. A par das obras de maior porte, salientamos outra caraterística do trabalho de Gaya, o uso da cor, sobretudo as tonalidades mais quentes. “As cores acompanham o meu trabalho há mais de 30 anos”, diz.

Tal é notório na maioria dos espaços, destacando-se as cores usadas na cozinha e numa das casas de banho, em rosa. “O rosa é muito recente para mim mas achava que seria uma cor muito agradável para viver, muito tranquila, e é mesmo!”, pontua. 

Ao nível dos materiais, foram incluídos novo mosaico hidráulico, novos azulejos e dada nova pintura para fazer face ao elevado estado de deterioração do edifício. Salvou-se o bonito chão de madeira, original, e aquele já existente no sótão, também de origem. As casas de banho, bem como a cozinha, e as janelas fazem igualmente parte dos espaços e elementos inteiramente remodelados e são importantes contributos para o que é hoje a morada desta família.

A casa tem hoje dois quartos, duas casas de banho, sendo que uma é de visitas, uma sala de grandes dimensões, outra mais pequena e um escritório, para além da cozinha e da lavandaria.

Lá fora, a entrada é ladeada pelos dois potes de grandes dimensões, um com um limoeiro e o outro com uma tangerineira. A relva foi colocada durante o processo de renovação da casa, assim como o banco de pedra indiana antiga, mandado fazer por Gaya para o efeito. O jardim, pequeno, tem árvores de fruto, uma oliveira mandada plantar e ainda uma buganvília antiga. Neste espaço exterior, o mosaico hidráulico contorna a casa e constitui uma das principais mudanças no projeto, que alterou completamente a casa e replica com genuidade uma característica das casas desta zona.