Autores: Tomaž Ebenšpanger, Tanja Simonič Korošak (Arquitetura Paisagista)
Arquitetos: Skupaj Architekti
Cliente: Privado
Tipologia: Residencial
Ano do projeto: 2025
Fotografias: Ana Skobe
O projeto assenta numa compreensão do tecido suburbano de Murska Sobota (Eslovénia) como uma condição de transição — entre cidade e paisagem, ordem e dispersão, o construído e o natural. A casa é concebida como uma sequência de volumes baixos, horizontalmente articulados, que acompanham a horizontalidade da planície panónica e se integram na escala envolvente sem estabelecer uma figura dominante.
A organização espacial baseia-se num esquema claro e racional, estruturado através de uma ordem tectónica legível na qual a função informa diretamente a expressão arquitetónica. Neste sentido, o projeto reflete o legado modernista funcionalista de Murska Sobota, particularmente o trabalho de Feri Novak.
O betão aparente, que incorpora agregados de origem local provenientes do cascalho do rio Mura, funciona como o principal elemento mediador entre arquitetura e lugar. A honestidade material, a ausência de ornamentação e a ênfase na clareza estrutural remetem para o ethos arquitetónico racional e socialmente comprometido de Novak, aqui reinterpretado no contexto contemporâneo da habitação individual.
O cascalho — formado pelos processos fluviais do Mura — é integrado num sistema estrutural contemporâneo, conferindo à arquitetura uma memória tangível da paisagem e enraizando-a materialmente no território. A casa não é concebida como um objeto colocado sobre o terreno, mas como algo que dele se constitui: o betão torna-se terreno solidificado, fundindo a lógica funcional modernista com a identidade local do lugar.


A planta quadrada é reduzida ao essencial: três volumes de serviço fechados inseridos num único espaço habitacional fluido. O betão pigmentado com argila, de origem local — moldado em cofragens reutilizadas e de acabamento bruto — ancora o projeto material e conceptualmente, incorporando o processo e o tempo na própria arquitetura. O projeto rejeita o espetáculo em favor da contenção, propondo a casa como um enquadramento espacial discreto para a luz, as estações e a vida quotidiana.








