Por a 7 Maio 2026

Entre a floresta e o campo de golfe de Knokke, esta residência contemporânea de Simon de Burbure explora a transparência, a matéria e a luz para criar um refúgio sofisticado em diálogo permanente com a paisagem.

Projeto: Simon de Burbure | Fotografias: Thomas De Bruyne | segundo memória descritiva

Em Knokke, junto ao campo de golfe e rodeada por uma paisagem verdejante, ergue-se uma residência contemporânea que transforma a relação entre arquitetura e natureza numa experiência sensorial. Assinado por Simon de Burbure, o projeto revela uma abordagem depurada e sofisticada, onde cada material, cada transparência e cada enquadramento foram pensados para reforçar a ligação ao exterior.

A casa desenvolve-se em diferentes camadas materiais. A base em pedra natural — sólida, quase telúrica — ancora a construção na paisagem e cria a sensação de um plateau sobre o qual repousam os volumes mais leves da habitação. Acima dela, madeira, vidro e telha vermelha compõem uma linguagem arquitetónica contemporânea, mas marcada por uma certa intemporalidade e por referências subtis à tradição construtiva local.

Se de um lado a villa se abre para a floresta, do outro deixa entrar a amplitude do campo de golfe através de grandes superfícies envidraçadas. A transparência torna-se, aqui, um elemento estrutural do projeto, dissolvendo fronteiras entre interior e exterior e permitindo que a luz natural modele os espaços ao longo do dia.

No interior, a materialidade assume um papel central. A pedra natural prolonga-se do pavimento à ilha da cozinha, da casa de banho à biblioteca, criando continuidade visual e uma atmosfera de serenidade quase monástica. Em contraponto, a madeira introduz calor e profundidade, surgindo em elementos como o pavimento, o closet e os espaços de convívio. O resultado é um equilíbrio subtil entre minimalismo e conforto, rigor arquitetónico e sensação de acolhimento.

Mais do que uma estética, o projeto traduz a filosofia de Simon de Burbure: uma arquitetura desenhada a partir da forma como os habitantes vivem a casa. Cada projeto nasce do interior para o exterior, privilegiando proporções equilibradas, linhas puras, vistas cuidadosamente enquadradas e uma atenção extrema ao detalhe.

Há também uma dimensão emocional evidente nesta habitação. O jardim dialoga permanentemente com a arquitetura, criando percursos, zonas de sombra e momentos de intimidade que transformam a experiência quotidiana. Nada parece excessivo, mas tudo revela intenção — desde a escolha dos materiais à forma como a luz atravessa os espaços.

O resultado é uma casa silenciosamente luxuosa: um refúgio contemporâneo onde a sofisticação não se afirma pelo excesso, mas pela harmonia entre arquitetura, natureza e modo de viver.