Durante cinco dias, a Lisbon Design Week 2026 transforma Lisboa num grande roteiro criativo, reunindo mais de 150 designers, artesãos, artistas e marcas em cerca de 80 espaços espalhados pela cidade, numa edição marcada pela colaboração, pelo feito à mão e pelo diálogo entre tradição e inovação.
De 27 a 31 de maio de 2026, a Lisbon Design Week 2026 volta a afirmar Lisboa como um dos principais polos criativos europeus, com uma programação que se estende por mais de 80 espaços distribuídos por 11 zonas da cidade. Ao longo de cinco dias, ateliers, galerias, lojas, oficinas, hotéis e espaços privados abrem portas para receber exposições, instalações, lançamentos e encontros dedicados ao design contemporâneo.
Na sua quarta edição, a iniciativa reforça a dimensão urbana e colaborativa do evento, reunindo mais de 150 criadores entre designers, artesãos, arquitetos, artistas e marcas. A programação expande-se também para bairros como Graça e Anjos, refletindo a vitalidade crescente da cena criativa lisboeta e a vontade da organização em descentralizar o roteiro da semana.
“É a explorar novos caminhos que nos desafiamos, descobrimos coisas novas e criamos uma ligação mais próxima com um lugar ou as pessoas à nossa volta”, afirma Michèle Fajtmann, fundadora e organizadora da Lisbon Design Week.

Uma edição marcada pela colaboração e pelo diálogo criativo
Sem um tema oficial definido, a edição de 2026 constrói-se em torno da partilha, da inclusão e da criação coletiva. Exposições conjuntas, novas parcerias e instalações colaborativas dão forma a um programa eclético que cruza tradição e experimentação, património e inovação.
“Quero que este evento seja mais do que um festival com lojas e ateliers abertos ao público. Quero que seja um momento de diálogo, descoberta, colaborações e experimentação”, sublinha Michèle Fajtmann.


O “feito à mão” continua a ocupar um lugar central na identidade da semana, com destaque para a exposição “Design Feito à Mão”, apresentada no Arquivo Aires Mateus. A mostra parte da jarra — um dos objetos mais antigos produzidos pelo homem — para explorar a relação entre artesanato e design contemporâneo. Com curadoria de André Matos, Vasco Águas e Astrid Suzano, a exposição reúne designers, makers e artesãos que trabalham diferentes materiais e técnicas, colocando a mão no centro do processo criativo.
“Nada pode substituir o tempo, pois o tempo não é só duração: é aperfeiçoamento, correção, transmissão e devoção. No artesanato português, o tempo é o verdadeiro mestre”, refere Michèle Fajtmann.
Entre o artesanal e a inovação tecnológica
A programação deste ano evidencia também uma crescente aproximação entre design, tecnologia e investigação material. Entre os participantes, destacam-se propostas ligadas à impressão 3D, ao design regenerativo e à experimentação com novos materiais.

A marca portuguesa Porventura apresenta uma nova direção criativa assente em processos tecnológicos, enquanto a Spectroom explora práticas regenerativas e novos sistemas de produção. Este diálogo entre o manual e o tecnológico traduz uma das principais ambições da Lisbon Design Week: apresentar o design português como um território simultaneamente enraizado na tradição e orientado para o futuro.
“Acredito que o futuro do design português passe pela colaboração, unindo criativos para construir algo verdadeiramente único”, acrescenta a fundadora da iniciativa.
Parceria estratégica com o MUDE reforça apoio às novas gerações
Entre as novidades desta edição está a formalização da parceria estratégica entre a Lisbon Design Week 2026 e o MUDE – Museu do Design, anunciada no final de 2025.
A colaboração reforça o papel da LDW enquanto plataforma de promoção do design contemporâneo em Portugal e inclui o desenvolvimento da open call Young Design Generation (YDG), dedicada a criadores com menos de 35 anos. Em 2026, uma das peças selecionadas passará a integrar a coleção do MUDE e um dos participantes receberá um programa de mentoria profissional.
“Espero mesmo que possamos contribuir para incentivar novas colaborações e inspirar novas gerações de artesãos e designers a seguirem os seus sonhos, ajudando a garantir um futuro brilhante para o saber-fazer e o design em Portugal”, afirma Michèle Fajtmann.
A exposição com os 20 finalistas inaugura precisamente no primeiro dia da Lisbon Design Week, a 27 de maio.
Presença reforçada na ARCOlisboa
O cruzamento entre arte e design ganha nova expressão através da presença da Lisbon Design Week na ARCOlisboa 2026. À entrada da feira, na Cordoaria Nacional, será instalado o LDW Lounge — “The Living Room” — concebido pela arquiteta e designer Joana Astolfi.

Pensado como uma instalação habitável, o espaço reunirá peças de diferentes designers participantes da LDW, funcionando simultaneamente como ponto de encontro, área de descanso e centro de informação da feira e do festival.
Novos roteiros e destaques da programação
Uma das novidades da edição de 2026 é a criação da secção Spotlight, dedicada a apresentações individuais centradas num único designer. Entre os nomes em destaque estão Gonçalo Campos, Alan Louis, Vasco Fragoso Mendes, Graça Pereira Coutinho, Miguel Soeiro e Noé Duchaufour-Lawrance, que apresentará uma retrospetiva de sete coleções na sua galeria Made in Situ.
As práticas coletivas assumem igualmente um papel relevante nesta edição. O coletivo Luso Collective regressa à Basílica da Estrela com uma nova instalação cenográfica, enquanto o novo coletivo Sotaque, apresentado no Moldo Studio, reúne designers influenciados pelas culturas das antigas colónias portuguesas.


O programa evidencia ainda o crescente diálogo entre moda, têxteis e design de interiores, com projetos como a colaboração entre a designer Constança Entrudo e o arquiteto Duarte Caldas, que apresentam superfícies modulares híbridas entre arquitetura e têxtil.
“Este projeto é, acima de tudo, uma oportunidade para construir uma comunidade. Penso que, para fortalecer o setor, temos de ouvir várias vozes. O talento existe, mas temos de proporcionar mais espaço de manobra para que se possa expressar, crescer e ganhar reconhecimento internacional”, destaca Michèle Fajtmann.
Instalações, marcas históricas e novos contextos expositivos
Ao longo da semana, marcas portuguesas históricas como Ach. Brito, Companhia Portugueza do Chá e Conserveira de Lisboa serão reinterpretadas através de instalações especiais que cruzam design gráfico, património e ilustração.

A edição de 2026 inclui também apresentações em apartamentos privados e espaços habitados, reforçando a ideia do design enquanto experiência quotidiana. Entre os espaços participantes encontram-se a Casa Aether by AB+AC Architects, a Main Edition & Coleção João Cabaço e a Bombony.
Entre outros destaques estão ainda a reedição da cadeira Osaka, de António Garcia, lançada pelo Atelier Daciano da Costa, a coleção “Light Stone” de Toni Grilo para a Cosentino City Lisboa e a colaboração entre Sam Baron e a artista Maria Terracotta apresentada n’A Vida Portuguesa.
Design brasileiro em destaque
O design brasileiro assume também uma presença significativa nesta edição. A QuartoSala apresenta o trabalho de Bernardo Figueiredo, enquanto a Wewood reúne peças de Fabrício Ronca e novas criações de Rafael Oliva.
A dimensão internacional da Lisbon Design Week reforça-se ainda com a entrada de Guto Requena para o Conselho de Consultores da iniciativa, trazendo para o evento uma reflexão ligada à tecnologia, empatia e inclusão no design contemporâneo.
“É este espírito de abertura e de partilha que, no fundo, vai elevar o design português a um patamar de excelência”, conclui Michèle Fajtmann.
A fundadora reforça ainda a ambição de longo prazo da plataforma: “A nossa plataforma pretende celebrar a riqueza da comunidade de design e artesanato em Portugal. Queremos criar uma plataforma digital focada nos makers, que dê visibilidade ao trabalho de designers, artesãos e arquitetos em Portugal, bem como a outros intervenientes do ecossistema, tais como galerias, showrooms e instituições culturais”.
Com uma programação cada vez mais ampla, transversal e internacional, a Lisbon Design Week 2026 consolida-se como uma plataforma essencial para descobrir o presente — e antecipar o futuro — do design português.
