Por a 20 Abril 2026

Projeto: Miguel Zaionc; Texto: segundo a memória descritiva; Fotos: Bia Nauiack

Em apenas 75 m², este apartamento no centro da cidade nasce de uma premissa singular: ser inteiramente envolvido por uma cor dominante. Assinado por Miguel Zaionc, o projeto parte do desejo de um advogado solteiro, na casa dos 30 anos, por um espaço onde o vermelho funcionasse como pano de fundo contínuo para um acervo eclético de peças vintage, obras de arte e referências que atravessam o clássico, o modernismo, o art déco e o contemporâneo.

Mais do que um gesto cromático, a proposta procura construir uma atmosfera coesa e habitável, onde a cor não se impõe ao espaço, mas o estrutura. “O desafio foi criar um ambiente inteiramente em vermelho que não se tornasse cansativo, mas antes envolvente e equilibrado”, explica Miguel Zaionc.

O apartamento, originalmente novo e entregue sem acabamentos, apresentava vários elementos técnicos e estruturais que poluíam a leitura do espaço. O trabalho passou por simplificar e suavizar essas interferências, criando uma base mais limpa que permitisse dar protagonismo ao mobiliário, às obras de arte e ao acervo do cliente. Não foram realizadas intervenções estruturais.

O piso em parquet maciço de tauari estabelece uma ligação subtil com a memória dos apartamentos das décadas de 50 e 60, reforçando o diálogo entre o contemporâneo e o vintage. Essa base neutra contrasta com a intensidade das paredes vermelhas e com a diversidade de peças que habitam o espaço.

Na sala, convivem um sofá em lona off-white da Estudio Bola, uma estante em radica da Studio Cage, uma cadeira Oscar de Sérgio Rodrigues e obras do acervo do cliente, como uma tela de Juarez Machado e uma gravura de Emanuel Araújo. A iluminação da Dimlux e da Flos, os têxteis da ANH e os tapetes da Botteh contribuem para uma atmosfera densa, mas equilibrada.

Na área social integrada, organizada em sala de jantar, cozinha e lavandaria, mantém-se o mesmo registo cromático, agora articulado com uma mesa em quartzito azul do Estudio Bola, cadeiras Joaquim da Boobam, armários Florense e bancadas em granilite da Santa Margherita. Um móvel bar vintage dos anos 50, pertencente ao cliente, reforça o caráter autobiográfico do projeto.

O quarto de hóspedes, também escritório, segue a mesma linguagem, com cama em radica da Movip, secretária de Guilherme Bittencourt e têxteis ANH e Bia Pádua Home. Na master suíte, destacam-se a cama Wooding, o tapete oriental da Botteh e peças de Sergio Rodrigues, articuladas com armários Florense e obras de Emanuel Araújo.

As casas de banho introduzem variações cromáticas e materiais, com pastilhas hexagonais e revestimentos tipo “Metro” em azul e castanho, combinados com mobiliário lacado de alto brilho da Movip e iluminação da Dimlux.

No exterior, o terraço abre o apartamento ao verde com mobiliário de Fernando Jaeger e paisagismo da Anni Verdi, criando um contraponto mais leve ao interior intenso. O projeto luminotécnico aposta na contenção, reduzindo os pontos de luz no teto e privilegiando a iluminação indireta, cortineiros e peças de apoio, como abajures, para construir uma atmosfera contínua e envolvente.

O resultado é um espaço profundamente pessoal, onde o vermelho não é apenas cor, mas linguagem — uma base emocional e visual que sustenta uma vida feita de memórias, objetos e relações.