Por a 8 Agosto 2023

Uma mão-cheia de talento e perseverança, boas memórias e referências ao serviço da criatividade fazem da Ceramic Me a marca portuguesa a reter.  

Texto: Isabel Pilar Figueiredo / Fotografia: Camila Fenster 

Elisabete Pereira é, desde cedo, uma apaixonada por cerâmica. Começou por investir algum do seu tempo durante a estadia temporária nos EUA em worshops, em 1993, na Universidade de Colombia (Washington), com a ceramista japonesa Soon Hee Paik e, de regresso a Portugal, deu continuidade à aprendizagem na área com uma passagem pelo ateliê Caulino e pela Olaria Lisboa, fortalecendo, simultaneamente, a sua curiosidade sobre a matéria. 

“Nunca deixei de fazer as minhas peças”, diz-nos, “mas não olhava para elas como sendo algo de ‘especial’. Com a saída de casa da minha filha, que foi estudar para os EUA, percebi ser possível investir um pouco mais do meu tempo nesta arte, altura em que trabalhei ao lado de Cátia Pessoa, do Ateliê Caulino. A partir daí foi claro, para mim, a necessidade de ter o meu próprio atelier, por pequeno que fosse.” Alugado um espaço de trabalho, Elisabete começou a desenvolver as suas próprias peças, debaixo da marca Ceramic Me. O prato para bolos Curly Me foi o primeiro trabalho da ceramista a ser vendido e a este seguiram-se outros, que fez “instintivamente”, bem como algumas travessas.  


Seguiu-se a exposição de algumas peças na Cantinho do Vintage, “uma loja de que sempre gostei imenso”, salienta, e em pouco tempo a maior parte dos objetos estavam vendidos. Ficou então muito claro que esta paixão – e passatempo até à data -, deveria ser encarada mais a sério. 

Pouco tempo depois surgiu a oportunidade de gizar um troféu para uma gala da TVI: “Fiz 25 peças, todas à mão e todas únicas. Foi a minha primeira grande encomenda, mas também uma descoberta em termos técnicos. Adorei o desafio!”. 

  Às peças em faiança, umas de ir à mesa e outras decorativas, juntam-se os lavatórios em grés com base de areia, mais hardware, ou as floreiras. Todos especiais, todos a incluir na nossa ‘must-have list’. Mesmo assim, o nosso olhar dificilmente se desvia dos pratos para bolos, com tanto de prático como de curioso: de um lado suporte, do outro arrumação para biscoitos, fruta ou até arroz e molho, estas peças são verdadeiramente únicas. Elisabete conta-nos que se inspira nas texturas de que gosta, nomeadamente nos naperãos antigos, reinterpretando os desenhos, imprimindo-lhes um quê de orgânico, de humorístico…. “Não quero ser igual a toda a gente e usar os crochês e bordados como base, gosto sempre de acrescentar valor, de um twist, de algo que os diferencie e lhes imprima a nota de diferença”. 

As cores preferidas são quase sempre as mais intensas, caso dos azuis turquesa, dos verdes fortes, dos amarelos torrados, em paralelo com os brancos e off-white. Para os grés, a aposta recai nos pretos e brancos. Às peças de mesa, juntam-se os lavatórios para os espaços de banho: “O primeiro que fiz foi uma encomenda para um cliente que tinha uma credência antiga e queria adaptá-la para a casa de banho. A partir daí percebi que esta é uma peça de que muita gente gosta, e que eu adoro fazer! Tem infinitas possiblidades, pode ser aplicado em mobiliário novo mas também de época, recuperado e personalizado”.  
Aliás, muitos dos trabalhos sob encomenda saem do ateliê com o nome do cliente, caso das chávenas ou pratos de bolos.  

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