Reforma integral num apartamento com mais de 40 anos de história e com alguns obstáculos por contornar.

Fotografias: Cedidas por Meeec arquitectos

O sexto andar de um edifício residencial, na Gran Via de Caravaca de la Cruz, em Múrcia, Espanha, viria a revelar-se um profundo exercício de análise sobre os tristes e esquecidos espaços interiores que, habitualmente, não passam de áreas servis, tratadas por vezes, como elementos isolados de um programa de necessidades.

O projeto assinado pelo gabinete Meeec arquitectos surgiu da necessidade de os proprietários quebrarem com a ausência de luminosidade que a casa tinha em alguns espaços interiores situados no centro da habitação para os quais os especialistas olhavam como locais tristes, sombrios e difíceis de solucionar.

Existia, também, o dilema típico do casal entre isolar a cozinha ou deixá-la como parte da sala de estar e jantar.

A dupla de arquitetos Juan Rebelles e Arturo Maya optou por eliminar a quase totalidade das paredes interiores, com exceção das divisões húmidas da casa. A compartimentação da casa acontecera agora através de mobiliário executado para o efeito.

Os materiais contemporâneos, como o betão aparente ou os azulejos a revestir o impactante cubo junto à cozinha, são alguns dos exemplos.

Sem dúvida um dos pontos altos desta renovação, que oculta inesperadamente a casa de banho.

À sala, agora em open space, foi acrescentado um espaço polivalente que irá reforçar o aproveitamento da casa. Uma área de recreação para as crianças, uma extensão da sala de jantar em dias de encontro com os amigos, ou quem sabe até, um quarto de hóspedes, vão permitir que a habitação se transforme e adapte às necessidades dos seus ocupantes.

Por sua vez, a cozinha, agora aberta, compõe a zona diurna com uma forma em “L” que promove a regulação térmica natural graças à ventilação cruzada e uma vista virada para a Gran Via de Caravaca. No fundo, este espaço húmido, há tanto degradado, passou a ser eixo central que articula o dia-a-dia dos moradores.

Um projeto que vem mostrar a arquitetura ao serviço da sociedade, “não a partir de um design contemporâneo banal, mas a partir de um ponto crítico com nós próprios. Trazendo novas perspetivas e envolvendo novos agentes”, referem os sócios fundadores da Meeec Arquitectos.

Mais; “Aquele espaço interior em que ninguém acreditava e olhava com ar de superioridade foi erigido como eixo central da casa com um primitivismo contemporâneo implacável. E a família evoluiu em torno dele. E os espaços ao ar livre se perguntaram o que eles fizeram de errado, se eles tinham janelas. E ele respondeu-lhes, com a humildade que o caracterizou desde que nasceu, todos nós podemos ser, basta parar e analisar bem. E então nasceu a arquitetura. E o novo espaço interior primitivo, não mais interior nem exterior, tinha atingido uma nova condição que outros almejavam apenas por regressar ao passado, mas pertencer a outro tempo”, concluem.