Erguida no meio do século XX, esta habitação de traça antiga e respeitada até aos dias de hoje, reúne peças de família, antiguidades e obras de arte.

Fotografia: João Bessone Produção: Amparo Santa-Clara

Texto: Mafalda Galamas

Aquela que fora em tempos, uma pequena aldeia implantada sobre a praia, cresceu e tornou-se uma prestigiada localidade da cidade de Lisboa – O Restelo. A casa que hoje vos mostramos foi aqui construída em 1949 e permanece até hoje com a traça de origem. Apenas alguns detalhes e revestimentos foram alterados e, claro, a decoração foi sendo atualizada à passagem do tempo.

Os mais de 300m2 dão hoje lugar a uma casa de família, que deixa antever o cuidado e apreço por coisas boas e ligeiramente tradicionais. Embora a decoração seja maioritariamente ao gosto dos proprietários, as consultas de design de interiores de Maria João Bívar revelaram-se determinantes.

No hall, todas as madeiras são de origem, uma qualidade impar que permanece dos degraus, ao corrimão ou teto. Mas é o tom da parede que nos surpreende, o castanho conjugado com o branco compõe a tela perfeita para albergar a coleção de quadros suspensa na parede. Entre as diversas obras, encontramos autoras como Mariana Amorim e Catarina Pinto Leite. E, no cimo das escadas, um dos emblemáticos quadros dos “pássaros”, da autoria de Miguel Pinheiro de Melo – para citar apenas alguns exemplos. As peças de mobiliário, embora pontuais, como a cómoda de madeira adquirida num antiquário em São Bento marca já o “perfil” da habitação.

A sala, divisão destinada, por tradição, ao convívio, divide-se entre zona de estar e de jantar. Junto à lareira, acompanhada pela tela de Maria Carlos, estão os sofás, o cadeirão com repousa-pés e as mesinhas. Aqui é, naturalmente possível relaxar, embora não seja o único recanto da sala com tal objetivo. Junto à janela com vista para o alpendre e piscina, a mesa de mármore com perto de 40 anos (adquirida na Rua da Rosa), mais os sofás e senhorinhas também acomodam quem quiser descontrair.

Impossível não reparar nas prateleiras que acompanham toda a parede, não apenas pela perceção de estarmos numa casa profundamente vivida, repleta de livros e molduras, mas sobretudo pela coleção de porcelanas, desde Companhia das Índias, a Vista Alegre, e tantas outras que foram sendo colecionadas e herdadas de família.

Em lugar de destaque está a reprodução de Vhils. Foi comprada no Bairro Alto numa altura em que o  pintor e grafiteiro português, conhecido pelos seus “Rostos” esculpidos em paredes era, ainda, um total desconhecido. Hoje, repousa em cima da cómoda D. Maria e não fica indiferente a quem aqui entra. Ambos, contrastam com o candeeiro contemporâneo, de globos, da loja Pátria.

Ao lado, a zona de jantar reúne uma combinação de mesa e cadeiras antigas, herdadas de família, que convivem harmoniosamente com o candeeiro suspenso de linhas modernas.

Já a irreverência da habitação iria a acontecer no lavabo onde a ousadia da cor contraste com o ambiente neutro da casa.

É no piso de cima que estão reservados os quartos.

Na suite, destacamos a tela junto à cabeceira de cama, da autoria de João Cristóvão.

Mas a grande surpresa fica, inevitavelmente, para o fim…

Uma enorme sala de jogos, no piso de baixo, concentra mesa de bilhar, mesa de jogos tradicionais, e um canto para simplesmente relaxar. A homenagem à calçada portuguesa não passou despercebida numa divisão que não poderia ser mais representativa de Portugal!