Projeto: Cyrus Ardalan / Fotografias: Alice Mesguich
Cyrus Ardalan assina esta Villa concebida através de uma abordagem bioclimática e desenvolvida em estreita colaboração com artesãos locais. De geometria rigorosa e linguagem minimalista, é organizada em torno de um pátio central.
A Villa Aram assinala o ponto de partida da prática de Cyrus Ardalan e afirma-se como um manifesto fundador: uma casa concebida sobre uma base e moldada pela atenção ao contexto, pela economia de meios e pela precisão do gesto arquitetónico.



Localizada em Ngaparou, a sul de Dakar, a casa foi encomendada como residência familiar privada pelo modelo e fotógrafo Malick Bodian. O terreno — inserido numa malha urbana densa e desprovido de vistas exteriores significativas — conduziu ao desenho de uma arquitetura introvertida, centrada em si própria. O projeto organiza-se em torno de um vazio estruturante: um pátio interior que se torna o coração climático e espacial da casa, proporcionando luz, frescura e uma sensação de amplitude.




Esta composição inspira-se numa dupla linhagem. Por um lado, nas casas com implúvio da Casamance, no Senegal, onde a vida se desenrola em torno de um espaço central sombreado; por outro, nas casas tradicionais de Yazd, no Irão, estruturadas em torno de pátios bioclimáticos. Na Villa Aram, estas duas heranças convergem numa geometria simples e legível: um círculo inscrito num rectângulo.


Uma cobertura circular metálica, leve e ventilada, assenta sobre doze colunas dispostas numa grelha radial. Esta grelha funciona como princípio gerador do projeto: determina proporções, estrutura a planta, organiza as circulações e orienta a disposição do mobiliário. A cobertura cónica proporciona sombra, ventilação natural e proteção solar. Permite uma planta livre, em que os espaços se distribuem segundo o uso e a orientação: os quartos, a norte, beneficiam de uma luz suave e controlada, enquanto as áreas de estar, a sul, se abrem a uma iluminação mais generosa.



O projeto assenta numa lógica bioclimática rigorosa, implementada sem recurso a sistemas tecnológicos pesados. Ventilação natural, beirais profundos de proteção, materiais de elevada inércia térmica e recolha de águas pluviais compõem uma estratégia passiva coerente, integrada desde as fases iniciais do desenho.



As paredes são construídas em blocos de terra comprimida estabilizada, produzidos e revestidos no local. A madeira de dimb, proveniente de cadeias de abastecimento locais responsáveis, é utilizada em carpintarias e mobiliário. O typha, planta endémica abundante, funciona como material natural de isolamento da cobertura. Todos os elementos foram fabricados localmente, em estreita colaboração com um empreiteiro geral senegalês e artesãos locais, limitando deliberadamente a importação de materiais e valorizando o saber-fazer local.




Na Villa Aram, tudo é desenhado: a estrutura, as paredes e os vãos, mas também o mobiliário, a iluminação, as condutas de águas pluviais e as maçanetas. O mobiliário é concebido como continuidade da arquitetura — por vezes integrado, por vezes móvel — participando na definição espacial da casa. O Sunken Sofa, escavado directamente na base, funciona simultaneamente como assento, lugar de recolhimento e figura espacial central em torno da qual se desenrola a vida doméstica.


Através de contrastes materiais e de uma paleta extraída de recursos locais — rebocos em tons coral, pavimentos de terracota vermelha, o mosaico carmim da piscina, cortinas de algodão natural, aço inox polido em espelho — a casa constrói uma atmosfera simultaneamente minimalista e sensorial, abstrata na clareza formal e profundamente enraizada no contexto.




Concebida como uma forma de arte total discreta, a Villa Aram não é uma acumulação de objetos, mas um todo coerente. Constrói uma atmosfera — um equilíbrio atento entre abstração geométrica e inteligência vernacular, entre o rigor do desenho e a liberdade da experiência vivida. Até hoje, a Villa Aram continua a informar a prática de Cyrus Ardalan.