Esta casa georgiana em Londres foi cuidadosamente reconstruída para recuperar a sua elegância original, ao mesmo tempo que se adaptava às exigências práticas de uma família jovem .
Projeto: Nancy Gouldstone Architects / Fotografias: Mary Wadsworth
Desenhar a própria casa deve ter tanto de gratificante como de desafiante. Que o diga Nancy Gouldstone, arquiteta que, juntamente com o marido, renovou esta townhouse do período georgiano, localizada em Londres, sem nunca ter deixado de lá viver.
“Mudámo-nos para esta casa quando o nosso filho mais velho tinha apenas seis meses. Estava longe de estar concluída. Na verdade, era praticamente inabitável. Mas conseguíamos perceber o que tinha sido e aquilo em que poderia vir a transformar-se”, conta.


Essa particularidade, contam, permitiu compreender os problemas existentes e desenhar soluções adequadas para os resolver. A principal questão era a falta de espaço e a solução passou por integrar marcenaria feita à medida em toda a casa e por aproveitar de forma muito inteligente cada recanto e cada nicho. “Desenhámos grande parte dessa marcenaria de forma a que se integrasse com os elementos de época que reintroduzimos, procurando que fosse lida como parte da mesma linguagem das molduras em estuque decorativo e da carpintaria original”.



Ao longo do tempo, a casa tinha sido profundamente descaracterizada. Quase nada de original permanecia, à exceção de duas belas portas duplas entre as divisões do primeiro piso. Havia sancas dos anos 1980, pavimentos sintéticos que imitavam madeira, lareiras tapadas e alcatifas. Assim, a primeira tarefa não foi introduzir algo novo, mas antes repor aquilo que deveria sempre ter estado ali. “Investigámos casas georgianas na zona e reintroduzimos cuidadosamente sancas, rosetas de teto, lareiras e ferragens adequadas à época”. Uma vez restabelecida essa estrutura histórica, a questão passou a ser como viver nela enquanto família de quatro.




A casa era relativamente compacta, pelo que a funcionalidade era fundamental. Originalmente não existia qualquer arrumação embutida e durante algum tempo, com soluções provisórias, as divisões pareciam mais pequenas e desorganizadas. O ponto de viragem foi perceber que uma marcenaria discreta, feita à medida, permitiria ganhar mais espaço útil e, ao mesmo tempo, preservar as proporções serenas das divisões. Ao integrar a arrumação em nichos e na própria espessura das paredes, ganharam funcionalidade sem sobrecarregar visualmente a casa.




A distribuição também foi repensada. Uma casa de banho demasiado grande foi transformada num quarto de hóspedes e numa casa de banho mais pequena e eficiente. A casa ficou tecnicamente “invertida”, com as áreas de estar nos pisos superiores, mas que, asseguram, funciona muito bem em termos de luz e vistas.



Do ponto de vista estético, a opção foi a de manter o invólucro arquitetónico calmo e predominantemente branco. “Em vez de tentar tornar os interiores de época, introduzimos peças escultóricas e de meados do século, incluindo um sofá curvo e a base de uma mesa em resina impressa em 3D. O contraste é deliberado: a estrutura histórica fornece solidez e gravidade; as peças contemporâneas dão-lhe vida e atualidade”.


Com a intervenção, a casa recuperou a sua dignidade, permanecendo ao mesmo tempo plenamente habitável, moldada tanto pela vida familiar como pela conservação do seu caráter.
