Por a 31 Março 2026

Em Paris, a arquiteta e designer Sophie Dries estreia o Quartz Café, um lugar concebido como um ponto de encontro para a comunidade criativa, onde colaborações com nomes como Partisan, Toutia ou Koma Matcha se cruzam com uma estética brutalista.

Projeto: Sophie Dries | Fotografias: Christophe Coënon

A arquiteta e designer Sophie Dries inaugura o Quartz Café, o seu primeiro espaço dedicado ao café de especialidade, localizado na rue de Bellechasse, no 7.º arrondissement de Paris.

O projeto nasce de forma natural num bairro onde a designer trabalha há vários anos: desde o Departamento de Arquitetura do Musée d’Orsay, ao estúdio de Christian Liaigre na rue de Grenelle, até ao seu próprio estúdio na rue de Bourgogne, onde está instalada há seis anos. Esta zona, conhecida pela sua elegância clássica, é também marcada por uma cena criativa singular, impulsionada por nomes como India Mahdavi — que trouxe uma nova energia à rue Las Cases —, bem como Rick Owens e Michèle Lamy, estabelecidos na place du Palais Bourbon.

O projeto nasce de forma natural num bairro onde a designer trabalha há vários anos: desde o Departamento de Arquitetura do Musée d’Orsay, ao estúdio de Christian Liaigre na rue de Grenelle, até ao seu próprio estúdio na rue de Bourgogne, onde está instalada há seis anos. Esta zona, conhecida pela sua elegância clássica, é também marcada por uma cena criativa singular, impulsionada por nomes como India Mahdavi — que trouxe uma nova energia à rue Las Cases —, bem como Rick Owens e Michèle Lamy, estabelecidos na place du Palais Bourbon.

Apesar desta vitalidade artística, o bairro carecia ainda de um verdadeiro destino dedicado ao café de especialidade. Após vários anos a viver em Itália, onde a cultura do café é central no quotidiano, Sophie Dries concebeu este projeto como um ponto de encontro para a comunidade do design. O Quartz Café afirma-se, assim, como um espaço de convites e colaborações com designers amigos e criadores com quem partilha exposições, galerias e editoras internacionais.

O Quartz pretende ser uma extensão desta família criativa — um lugar onde convergem valores comuns: a valorização do saber-fazer artesanal, o respeito pela identidade e talento individuais e uma arte de viver moldada tanto pela gastronomia como pelos momentos de partilha. À semelhança de espaços históricos como o Cabaret Voltaire, o Café de Flore ou o Café Society, o café assume-se como um território de troca criativa, onde as ideias circulam.

Para este projeto, Sophie Dries reuniu especialistas e amigos de diferentes áreas: Partisan, torrefator de café de especialidade; Toutia, duo de catering responsável por cinco propostas de pastelaria inspiradas em texturas telúricas e oxidações minerais — sablés de cacau, fondant de tâmara, mochi de yuzu e bolachas de sésamo negro, incluindo opções sem glúten; Koma Matcha, matcha de Quioto selecionado pela Twelv Tokyo; Matteo Garcia, responsável pelo sistema de som personalizado; e  l/uniform, para aventais e acessórios têxteis.

O nome Quartz Café reflete diretamente o fascínio de Sophie Dries pelos minerais, presente no seu trabalho desde a infância. Verdadeiras maravilhas naturais, estes elementos moldam o seu vocabulário estético e material: pirite utilizada em acessórios de lareira, selenite num difusor de fragrâncias criado com a D’Orsay, castiçais em gesso e explorações em vidro de mica em Murano.

Esta fascinação mineral estende-se também à abordagem técnica do café. No café de especialidade, a água é tão essencial quanto o grão. O Quartz Café integra, por isso, um sistema avançado de filtragem e remineralização, concebido para alcançar uma calibração ideal.

A estética do espaço prolonga esta reflexão sobre matéria e transformação. Um pavimento em aço Corten confere calor ao ambiente, enquanto o balcão remete para o bar Octa, apresentado no Mobilier National no outono de 2025. A transformação dos materiais surge também nas cortinas plissadas de inspiração clássica, tratadas com uma técnica de tie-dye com lixívia, visíveis do exterior como uma montra de joalharia.

A tipografia Quartz combina referências à Secessão de Viena com símbolos alquímicos. A assinatura material associada a Sophie Dries está igualmente presente: aço inoxidável polido e soldaduras em bronze, semelhantes a cicatrizes preciosas, já exploradas na sua coleção Styx — espelhos, prateleiras, candeeiros suspensos e apliques produzidos pelo Atelier Moore.

Estas marcas metálicas prolongam-se nos acessórios do café: colheres de prova, jarros de leite, tabuleiros e dispensadores de guardanapos de inspiração italiana. O espelho Styx é reinterpretado com detalhes de passamanaria, enquanto o serviço é acompanhado por peças em prata e cristal Baccarat. No exterior, um banco em contraplacado vermelho com base em alumínio completa a coleção Songye.

Com o Quartz Café, Sophie Dries cria um lugar onde design, artesanato e cultura do café se encontram, num diálogo entre excelência, materialidade e hospitalidade.