Por a 19 Março 2026

Acolhido num edifício histórico de 1911, no coração de Kiev, este apartamento reinterpreta a herança arquitetónica original através de uma linguagem contemporânea, onde a luz, o espaço e o detalhe gráfico constroem uma narrativa elegante.

Projeto: YD Interior Design / Fotografias: Yevhenii Avramenko / Texto: segundo memória descritiva

Localizado num edifício residencial histórico de 1911, no centro de Kiev, este apartamento assume a sua herança arquitetónica como ponto de partida. Um contexto que se tornou a base conceptual do projeto de interiores assinado por Yevheniiaa Dubrovska.

O briefing foi claro: criar um espaço luminoso, amplo mas contido, capaz de refletir o caráter nobre do edifício original, respondendo simultaneamente às exigências da vida contemporânea. A resposta traduziu-se numa paleta clara e quente, pontuada por subtis acentos de cor, que estabelece um diálogo fluido e elegante entre passado e presente.

A organização do espaço divide-se em duas grandes zonas. A área social, totalmente aberta, integra o hall de entrada, a cozinha com zona de refeições, a sala de estar e um escritório. Em vez de portas, portais de inspiração clássica garantem continuidade visual e reforçam a sensação de amplitude. A zona privada, reservada aos quartos, é acedida através de portas altas, igualmente clássicas, que marcam a transição entre o público e o íntimo.

Molduras decorativas no teto, rodapés altos e painéis de MDF com desenho linear sublinham o caráter histórico do apartamento. Um arco em madeira separa a cozinha do hall, reinterpretando o ritmo das janelas originais do edifício. No pavimento, azulejos porcelânicos cortados à medida introduzem um motivo gráfico recorrente, assegurando coerência visual em todo o espaço.

Na cozinha, o equilíbrio entre cor e leveza é cuidadosamente trabalhado: armários inferiores em tons avermelhados contrastam com módulos superiores claros e canelados, enquanto peças de marcas escandinavas convivem com outras de produção ucraniana. A sala de estar, de planta irregular, é suavizada por cornijas e rodapés curvos. Uma bay window, revestida a papel de parede verde-esmeralda — cor que se estende ao parapeito e ao radiador — cria um ponto focal mais intimista.

Nos espaços privados, a abordagem mantém-se contida e luminosa. O quarto principal privilegia materiais claros e iluminação em camadas, enquanto a casa de banho combina microcimento, mosaicos ornamentais e apontamentos em latão. O segundo quarto assume um registo mais contemporâneo, sem comprometer a continuidade estética do projeto.