O ponto de partida deste projeto em Madrid foi o ano da sua construção: 1934. Os arquitetos do coletivo Plutarco pesquisaram outras villas modernistas da mesma época, em diferentes contextos, para compreender melhor o espírito em que esta casa nasceu. Encontraram-na em estado de abandono, o que os levou a encará-la como uma tela em branco, reimaginando os espaços desde a sua base.
Área: 376 m² + 112 m² (exterior) | Cliente: privado | Design: Plutarco | Local: Madrid | Fotografias: Germán Saiz
Memória descrtiva via archilovers
A casa organiza-se em torno de dois pátios — um mais privado e outro interior, amplo e invulgar — que definiram a localização das áreas sociais, privilegiando a tranquilidade e a relação com o exterior. Os tetos assumem um papel central, com abóbadas de alto brilho que amplificam a luz e reforçam a linguagem da época.




O projeto cruza referências históricas com uma abordagem contemporânea, tanto na arquitetura como no mobiliário. Algumas peças foram desenhadas especificamente para o espaço, enquanto outras introduzem contraste e surpresa. A ligação entre divisões foi pensada para criar continuidade e flexibilidade, permitindo diferentes usos e atmosferas.
Na cozinha e nas restantes áreas, a materialidade é explorada de forma expressiva, combinando madeiras, terrazzo e apontamentos cromáticos inesperados. A cor surge de forma controlada, criando equilíbrio com tons mais suaves e luminosos.


A zona privada, no piso superior, foi concebida como um espaço de maior recolhimento, com uma abordagem sensorial aos materiais, à luz e à forma. As curvas, presentes ao longo de toda a casa, suavizam a linguagem e reforçam a fluidez espacial.


No exterior, o jardim prolonga esta ideia de contraste e surpresa, combinando diferentes elementos e criando um ambiente pensado para o convívio e a contemplação. A vegetação desempenha um papel essencial, trazendo variação ao longo das estações e contribuindo para um pequeno oásis climático.


A reabilitação estrutural foi um dos maiores desafios do projeto, dado o avançado estado de degradação do edifício. A sua recuperação integral tornou-se, por isso, uma das conquistas mais significativas deste processo.

