Por a 4 Março 2026

Na sua casa em Copenhaga, Simone Noa demonstra como os espaços mais pessoais raramente são os mais perfeitos.

Fotografias: Ferm Living

Todas as noites, Simone Noa termina o dia com um ritual: percorrer leilões online antes de se deitar. Procura algo específico, embora nem sempre consiga dizer exatamente o quê. Uma cadeira com costuras irregulares. Uma mesa com pequenas marcas gastas na superfície. Objetos que transportam, nas suas imperfeições, as provas de uma vida vivida.

“Adoro encontrar peças que não são perfeitas”, diz. “Percebe-se que alguém pensou realmente nelas, que trabalhou nelas, talvez até tenha cometido um erro pelo caminho. Isso fascina-me.” A artista e ceramista diz que por vezes compra algo sem saber onde o vai colocar. Essa incerteza, diz, faz parte do prazer — deixar que a peça encontre o seu próprio lugar com o tempo.

A sua casa reflete esta sensibilidade em todas as divisões. Pensada ao detalhe, mas nunca limitada por uma curadoria excessivamente meticulosa. Pessoal sem ser demasiado preciosa. A estante foi organizada com cuidado, cada livro e objeto colocado com intenção. Ainda assim, é nos cantos que a vida se revela em toda a sua espontaneidade — um casaco pousado sobre uma cadeira, objetos que ficam onde o dia os deixa.

Simone abordou o espaço como uma tela em branco, guiada pela cor enquanto estado de espírito, com cada divisão em diálogo com a seguinte. “Tenho plena consciência da importância de criar um fio condutor subtil que percorra toda a casa”, explica. “Mesmo que os tons mudem, há sempre um diálogo entre eles. Para mim, a cor define a temperatura emocional.” A partir daí, as peças maiores encontraram o seu lugar: uma mesa de jantar vintage, uma cómoda usada, um sofá escultórico — cada uma a ancorar a divisão e a reforçar o seu ambiente. Depois, camada sobre camada: textura, arte, o colecionado e o encontrado. “É aí que um espaço ganha verdadeiramente vida”, afirma.

Também os materiais são escolhidos com um olhar prático. Um sofá tem de ser um lugar onde se possa enroscar descalça sem hesitar. Uma cadeira tem de justificar o seu lugar pelo uso. Há também um gosto pelo contraste — algo macio como bouclé ou lã escovada combinados com algo mais cru: madeira, linho, metal.

“Essa mistura faz com que um espaço se sinta com camadas e interessante”, diz. Para Simone, as coisas bonitas têm de ser vividas. Objetos que pareciam certos, mas se sentiam errados foram substituídos. Cada novo objeto tem de passar por um teste simples: poderia encontrar o seu lugar na próxima casa? Continuaria a sentir-se como dela?

Com a chegada da filha, o ritmo da casa mudou. Vasos foram colocados em prateleiras mais altas, o chão ficou livre para brincar, e uma nova regra passou a vigorar: arrumar quando terminar. “Não quero que ela sinta que não pode mexer-se ou brincar”, diz Simone, “mas também não quero perder as coisas que fazem o apartamento sentir-se como eu.” A maternidade, talvez de forma inesperada, apenas aprofundou a sua relação com o espaço, mantendo alguns cantos calmos o suficiente para respirar, enquanto o resto permanecia flexível. “É tudo uma questão de equilíbrio. Deixar que ela explore e brinque, enquanto se mantém uma sensação de calma e ritmo no dia a dia.”

O que se percebe, tanto na casa de Simone como no seu pensamento, é uma genuína facilidade com a imperfeição, uma apreciação por objetos que mostram a sua história de uso. A costura irregular, a marca subtil, a sensação de que algo foi vivido.

Este modo de viver está alinhado com a ética da Coleção Primavera Verão 2026 da Ferm Living, uma exploração do composto e do imperfeito, encontrando beleza nas qualidades duradouras de objetos trabalhados que carregam marcas do toque e do tempo.