Com 133 m², a cobertura foi concebida como residência principal de um casal jovem — ela, americana e apaixonada pela natureza; ele, empresário, viajante frequente e fã de futebol. Ambos valorizam a convivência e gostam de receber amigos em casa. O projeto é do arquiteto Gustavo Hadler.
Projeto: Gustavo Hadler
Fotografia: Luiza Schreier
Produção: Andrea Falchi | Rennan Scalabrin
A premissa do projeto foi clara desde o primeiro briefing: criar uma ligação máxima entre os espaços sociais interiores e o exterior, valorizando a vista privilegiada sobre o Rio de Janeiro e promovendo uma vivência fluida e funcional. Para um cliente apaixonado por futebol, surgiu ainda um desafio especial — garantir que a televisão de 85’’ pudesse ser vista a partir de qualquer ponto do apartamento, incluindo a área exterior. A solução encontrada foi um painel giratório de 360°, que, de um lado, acolhe a televisão e, do outro, integra uma escrivaninha que complementa o espaço de home office.



Outro pedido essencial foi o aproveitamento integral da área exterior, mesmo em dias de chuva. Para isso, foi desenvolvida uma cobertura retrátil sem pilares, permitindo abrir ou fechar totalmente o espaço sem interferir na paisagem. Esta solução técnica preserva a vista e reforça a sensação de continuidade entre interior e exterior.


Com a remoção das paredes que separavam a cozinha da sala de jantar, o espaço ganhou amplitude e fluidez. Uma intervenção na cobertura permitiu a instalação de uma claraboia zenital, que inunda a mesa de jantar com luz natural ao longo de todo o dia.




Na zona privada, dois quartos foram transformados numa ampla suíte principal, com closet e uma casa de banho maior, proporcionando mais conforto e funcionalidade. O projeto paisagístico ao longo do perímetro do peitoril oculta os telhados vizinhos e estabelece uma ligação visual entre o jardim e as montanhas, criando um verdadeiro refúgio verde e privado para desfrutar da jacuzzi.
O estilo industrial domina o projeto, com toques ecléticos que surgem no mobiliário modernista e numa paleta cromática ousada, onde o vermelho contrasta com os tons sóbrios de preto e cinza claro. A inspiração principal foi o desejo de integração — de espaços, funções e experiências.
A versatilidade é um dos grandes destaques. O painel giratório transforma o living, a área exterior e o escritório (que também funciona como quarto de hóspedes) num grande home cinema em três ambientes distintos. Quando voltado para o lado oposto, o painel revela a escrivaninha, oferecendo múltiplas configurações para o trabalho remoto.


A intervenção foi uma remodelação total. O apartamento foi completamente demolido para permitir novas integrações espaciais e a atualização das infraestruturas elétrica e hidráulica. As antigas divisões foram eliminadas, os vãos das esquadrias ampliados para maior entrada de luz natural, e o antigo corredor íntimo deu lugar a uma suíte generosa com closet e área de trabalho. O maior desafio estrutural foi reforçar a laje para suportar a cobertura retrátil estaiada, que cobre 40 m² sem recorrer a pilares.


Em termos de materiais, o apartamento apresenta, na maioria dos espaços, pavimento em madeira natural de cumaru em padrão espinha de peixe, criando uma atmosfera acolhedora e contínua. Na cozinha, ladrilhos em tons terracota e off-white formam um padrão losangular que dialoga com as paredes de tijolo aparente da sala de estar e de jantar. Tectos e paredes receberam acabamento em cimento queimado off-white, reforçando a unidade visual. Na casa de banho da suíte principal, seixos naturais no interior do duche evocam uma sensação de spa e contacto com a natureza.
O projeto de iluminação é totalmente automatizado, com controlo por smartphone ou comando de voz. No living, a fiação aparente revestida a tecido cria um desenho gráfico que valoriza o estilo industrial. Nas áreas íntimas, optou-se por iluminação embutida “no frame”, com acabamento preto, garantindo um visual limpo e confortável.


O apartamento dispõe de duas suítes e um lavabo. A escolha das cores e materiais partiu do pedido dos clientes para utilizar tijolo aparente na sua tonalidade natural. Para equilibrar o tom avermelhado, foram introduzidos o preto e um cinza muito claro, quase branco, criando contraste e valorizando elementos-chave, como as obras de arte.
Entre as peças de design assinadas destacam-se a Poltrona Mole de Sérgio Rodrigues, em couro verde, a mesa de centro Pétala de Jorge Zalszupin e as cadeiras de jantar Lúcio, também de Sérgio Rodrigues. A mesa lateral em madeira, junto ao sofá, foi criada pelo pai da proprietária e trazida dos Estados Unidos como memória afetiva da família.
O projeto artístico inclui obras de Denílson Machado, Gais Ama, Petrillo, António Bokel e Sued, integradas de forma harmoniosa na arquitetura.
A principal dificuldade do projeto esteve nas cargas estruturais, o que levou à substituição da piscina inicialmente prevista por uma jacuzzi de menores dimensões.






