Por a 23 Março 2026

Piacesi Arquitetura assina remodelação de apartamento com 80m2 no Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em Belo Horizonte.

Projeto: Piacesi Arquitetura / Fotografias: Jomar Bragança / segundo memória descritiva

Localizado no Edifício JK, em Belo Horizonte, no Brasil, este apartamento de 80m² passou por uma remodelação completa assinada pelo escritório Piacesi Arquitetura. Projetado em 1951 por Oscar Niemeyer, o prédio é considerado um dos marcos da arquitetura moderna na capital mineira.

Com uma fachada marcada por curvas sinuosas, pilotis e soluções que privilegiam a iluminação natural e a ventilação cruzada, o edifício simboliza a chegada do modernismo à cidade, ainda antes da consolidação desse movimento com a construção de Brasília.

O imóvel foi adquirido por um casal de médicas anestesistas e o projeto foi encomendado após a compra. A planta original foi redesenhada para favorecer amplitude e fluidez. Um dos quartos foi eliminado para dar lugar a uma sala de TV conectada à área social, enquanto cozinha e área de serviço passaram a comunicar diretamente com os espaços de estar e jantar. “A remodelação removeu praticamente todas as divisórias interiores, mantendo apenas a estrutura original do edifício”, diz Piacesi. Após as intervenções, o apartamento passou a contar com cozinha, área de serviço e ambientes de estar, jantar e TV integrados, além de lavabo e suíte principal.

A integração dos espaços foi o ponto de partida do conceito, pensado para tornar o apartamento mais iluminado, ventilado e contínuo. Na estética, as moradoras procuravam uma atmosfera de brasilidade, evocando referências da Bahia sem abdicar de um certo minimalismo.

A paleta reúne tons terrosos presentes na madeira do piso original em taco, nas banquetas, banquinhos, poltronas e objetos, que combinam com os estofos castanhos e nuances de verde. O conjunto é equilibrado pelo cinzento das vigas e pilares aparentes, do cimento queimado da cozinha, da cuba do lavabo, da bancada de refeições em aço inox, dos revestimentos da casa de banho da suíte e do armário da sala. “A proposta foi criar um refúgio urbano no qual elementos naturais dialogam com gestos mais brutalistas, como a estrutura em betão aparente em contraste com o aço inox da bancada de refeições”, explica o arquiteto.

Na decoração, algumas peças pertenciam ao acervo das clientes e foram incorporadas ao projeto, como as cadeiras da mesa de jantar, o sofá da área de TV e as luminárias pendentes da área social. Os demais móveis e objetos foram selecionados de acordo com as especificações definidas pelo escritório.

Entre os destaques estão o lavabo concebido como uma “caixa” verde — com paredes, teto e porta no mesmo tom —, a bancada de refeições em aço inox engastada na ilha da cozinha e a mesa de centro redonda desenhada pelo escritório e executada em mármore travertino, que também funciona como cooler. Chamam a atenção ainda o hall de acesso ao quarto, pintado no mesmo verde do acabamento do armário para reforçar o efeito de caixa, e o azulejo de motivo geométrico modernista na parede de fundo da cozinha, responsável por introduzir cor, ritmo e um toque poético ao ambiente.