A reconfiguração espacial de um pequeno T2 dos anos 70, em Caxias, transforma um apartamento compacto numa casa aberta à luz e ao logradouro tardoz.
Projeto: João Tiago Aguiar / Fotografias: Francisco Nogueira
Este projecto consiste na reabilitação de um apartamento T2 de pequenas dimensões, situado no rés-do-chão de um edifício habitacional dos anos 70, em Caxias, cuja principal qualidade residia num logradouro tardoz amplo, soalheiro e pouco explorado.





A organização original, com duas frentes — quartos voltados à rua e áreas sociais a tardoz — era condicionada pela localização da única instalação sanitária junto à fachada posterior, funcionando como elemento de separação entre sala e cozinha e limitando o contacto com o exterior.



A intervenção manteve os dois quartos voltados à fachada principal e reposicionou a instalação sanitária existente para a transição entre a zona privada e a sala, libertando toda a fachada tardoz. Esta deslocação permitiu não só ampliar a entrada de luz natural na área social, como também garantir o acesso à instalação sanitária a partir do hall dos quartos, sem atravessamentos pela zona social.



A nova organização interior assume uma cozinha aberta sobre a sala, reforçando a amplitude espacial e as vistas para o logradouro, e integra uma pequena instalação sanitária social.

No exterior, o logradouro foi redesenhado em duas cotas, com um desnível de cerca de um metro. A plataforma inferior, ao nível da soleira do apartamento, foi ampliada em profundidade, passando de 1,5 m para cerca de 4,5 m, criando espaço suficiente para uma mesa de refeições exterior e uma zona de estar. O desnível foi aproveitado para integrar discretamente a lavandaria e um banco corrido de apoio ao espaço exterior.


A materialidade é unificada pela cor verde-sálvia, aplicada no pavimento autonivelante epóxi de todo o apartamento, prolongando-se nas carpintarias — portas, rodapés e armários de cozinha. Nas zonas húmidas, o mosaico hidráulico, nas cores branco e verde-sálvia, reveste pavimentos e paredes,
estendendo-se ao tecto da zona do duche e à totalidade da área impermeável do terraço exterior. O restante logradouro é mantido em relva, garantindo permeabilidade e contraste material.



A intervenção procura, assim, transformar um apartamento compacto numa sequência contínua de espaços interiores e exteriores, onde a luz, a cor e a organização espacial reforçam a vivência quotidiana.
