O inverno já tem fim à vista e, com a primavera que se aproxima, é tempo de dar energia ao solo e afinar rotinas para que as novas plantas peguem e as de sempre rejuvenesçam. Manter um espaço verde, saudável e bonito não é um bicho de sete cabeças, mas exige especial cuidado e planeamento. Inspire-se nas nossas propostas e anote as dicas!
Fotografia de entrada: Robin Wersich via unsplash / Texto: Petra Alves
Quer queira planear o seu jardim de raiz ou revitalizar vasos esquecidos, há um elemento que deve merecer toda a atenção e que tantas vezes é descurado: o solo. Com a aproximação das estações mais quentes do ano, o consequente aumento da temperatura ativa a vida microbiana do solo, tornando-o mais recetivo a nutrientes, água e novas raízes. Mas para que isto aconteça, é fundamental que o solo esteja solto, nutrido e sem pragas para que as raízes se desenvolvam com força e as plantas floresçam com mais saúde e vigor. É a altura ideal para:
Remover a matéria orgânica morta


Limpar antes de regenerar é uma regra de ouro. Antes de plantar ou adubar, há que remover do solo folhas secas, galhos partidos, raízes mortas e outros resíduos acumulados, que impedem a circulação de ar e criam um ambiente propício ao aparecimento de fungos ou pragas. Além disso, após a limpeza poderá avaliar melhor o estado do solo e medir as suas necessidades.
Testar o pH do solo: ácido, neutro ou alcalino?
Esta deveria ser uma prática frequente e talvez seja a que menos se faça, nos vasos ou no jardim. O valor de pH vai determinar a disponibilidade de nutrientes do solo, sendo que cada planta tem as suas necessidades. Ou seja, um pH desequilibrado pode fazer com que a planta não receba os nutrientes de que precisa. Ainda que não haja um pH ideal para todas as plantas, a maioria necessita de valores entre 5,5 e 7,5. A acidez (inferior a 7) ou alcalinidade (superior a 7) afeta a forma como os nutrientes estão disponíveis para as raízes das plantas.
Como medir o pH? As lojas da especialidade vendem kits de teste de pH, fáceis de usar. No exterior, é importante medir em várias zonas e canteiros, já que o pH pode variar dentro da mesma propriedade. Com esta informação, há que adequar a escolha das espécies. Antes de apostar numa espécie, pesquise sobre o pH de que ela necessita para crescer e manter-se saudável.
Repor nutrientes

Conhecendo o solo, há agora que reforçar composto, adubo ou húmus para garantir que o terreno esteja rico quando as novas plantas começarem a crescer. Prefira produtos orgânicos ou naturais e verifique se o adubo é indicado para plantas de interior, hortícolas, flores, relvados ou arbustos. Produtos específicos respeitam melhor as necessidades de cada tipo de planta.
Os adubos NPK são uma categoria de fertilizantes com três elementos essenciais às plantas: azoto (N), fósforo (P) e potássio (K). Procure na embalagem a proporção de N (azoto), P (fósforo) e K (potássio), sabendo que N estimula o desenvolvimento das folhas e caule, P favorece as raízes e floração e K fortalece a resistência geral da planta.
QUER CRIAR UM JARDIM DE RAÍZ? PLANEAR É O VERBO


Todos os espaços exteriores, independentemente da sua localização e configuração, são passíveis de receber um jardim atrativo, desde que haja um bom planeamento, que considere os pontos fundamentais ao sucesso da empreitada. Algumas regras a ter em conta:
Objetivos. De que forma pretende usufruir do jardim? A que vivências ele terá de dar resposta? Poderá ser um espaço para viver em família, para fazer refeições, ou apenas para contemplar… A utilização do espaço vai determinar as áreas a contemplar e de que forma devem estar dispostas.
Luz solar, água e solo. Estude a orientação solar e teste o solo nas diferentes zonas do jardim para perceber que tipo de plantas poderá ter e onde as deverá colocar. Evite misturar, no mesmo local, plantas com necessidades de água, luz e nutrientes diversas.
Layout. Se pode planear e desenhar o jardim com um profissional, tanto melhor. Caso contrário, não há nada como um papel e um lápis para esboçar a sua área exterior, assinalando elementos como relva, pátio, zonas de passagem, zona de estar e de refeições, vedações para maior privacidade, árvores para sombra, eventual piscina.
Neste estudo, considere:
– onde devem ficar os elementos de destaque (plantas mais exuberantes ou pérgulas, por exemplo).
– o protagonismo das plantas de acordo com a altura: as mais altas ao fundo, as médias no meio e as mais baixas à frente.
– misturar espécies que florescem em diferentes estações do ano, para ter um jardim sempre florido. Por exemplo, Crisântemos, Gerânios, Gerberas, Hortênsias, Lírios, Margaridas, Peónias, Petúnias, Tulipas, entre outras, florescem na primavera. Girassóis, Hibiscos, Íris, Lavandas… no verão. Anémonas, Ásteres, Dálias, Gardénias… no outono. Amores-perfeitos, Camélias, Ciclames, Jacintos, Narcisos…no inverno.
– acessos que permitam chegar com facilidade a todas as plantas do jardim.
‘Sala de estar’, no jardim

A área de estar merece destaque enquanto espaço de permanência integrado no jardim. Bancos contínuos em alvenaria, de linhas simples e acabamento claro, são um elemento marcante deste ambiente, em que os têxteis (tapete e almofadas) reforçam o conceito de sala de estar. A vegetação é composta por um conjunto exuberante de espécies de caráter tropical e subtropical.
Destaque para o grande vaso de estrelícias, que são plantas muito resistentes, ideais para jardins de baixa manutenção.
Em socalcos

Próximo ao mar, este jardim acompanha o percurso em pedra, valorizando espécies mediterrânicas e arbustivas, suculentas e trepadeiras floridas, que acrescentam textura, cor e resistência ao conjunto. A vegetação, de baixa manutenção e organizada em diferentes alturas, cria um cenário colorido ao mesmo tempo que valoriza as vistas e a envolvente.
Manutenção reduzida

Este jardim, de muito baixa manutenção, organiza-se de forma contida e naturalizada, com árvores existentes, gravilha e uma zona de refeições sóbria, criada junto ao acesso à cozinha da casa, e percursos em pedra que conduzem a zonas de estar e contemplação. A vegetação é integrada de modo discreto, respeitando a topografia e o caráter do lugar.
Pátio interno luxuriante

Para reforçar a relação entre natureza e espaço construído e criar uma transição natural entre arquitetura e paisagem, esta mini selva privilegia espécies tropicais de médio e grande porte, com folhagens densas e variadas, que proporcionam sombra, conforto térmico e sensação de acolhimento.
Paisagem rural

Um dos elementos de maior destaque neste conjunto são os ciprestes junto à fachada, que acompanham e reforçam a verticalidade da arquitetura: com a sua forma esguia e ritmo regular prolongam visualmente as linhas da casa. Os arbustos floridos e herbáceas perenes fazem o resto: introduzem cor, textura e sazonalidade.
Autóctone e robusto

Este jardim desenvolve-se como uma extensão natural da arquitetura em pedra, com vegetação em maciços densos e espontâneos, espécies perenes, herbáceas floridas e arbustos resistentes. O percurso em pedra e os patamares acompanham a topografia, integrando o jardim, de uso quotidiano, na paisagem.
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