Por a 23 Fevereiro 2026

Sete estúdios de design. Sete visões. Cada um deles a eleger apenas uma cor como ponto de partida para imaginar 2026.

Perguntámos a Inês Cottinelli, Joana Astolfi, Graça Paz, à dupla Églantine Sicat e Pauline Dellemotte, a Rita Valadão, Renata Santos Machado e aos fundadores da Ding Dong, Michael e Davide, que cor era para eles a de 2026. Do verde-água ao azul indanthreno passando pelo terracota, veja as escolhas destes criativos.

Inês Cottinelli | Ateliê Daciano da Costa 

O vosso desafio (que adorei!) surge num momento particularmente oportuno, coincidindo com o lançamento da Linha Penta — sofá e poltrona — apresentada este ano num tom verde-água, bem como com o da cadeira Peninsular.  A cor escolhida para o ateliê em 2026, Pantone 624 C, nasce da paleta desenvolvida para os modelos Daciano, lançados em 2025 e com entrada em produção prevista para 2026, nas linhas Penta e Peninsular. Este tom representa um refrescamento subtil da paleta original Daciano, preservando a sua essência e reforçando uma leitura serena, natural e contemporânea, em diálogo direto com a materialidade e a intemporalidade dos modelos. 
A Poltrona Penta tem origem no projeto do Hotel Penta (1971), com arquitetura de interiores da autoria de Daciano da Costa, refletindo a sua abordagem ao design funcional, marcada por linhas simples e por uma atenção rigorosa às questões ergonómicas. Concebida para as zonas lounge do hotel, a Poltrona Penta combina conforto, sobriedade formal e intemporalidade, afirmando-se hoje plenamente atual na sua reedição contemporânea. 

Joana Astolfi | Studio Astolfi

A minha cor preferida é, há vários anos e ainda hoje, a terracota. Existem muitas variações — mais claras, mais escuras — mas sempre dentro daquela tonalidade rosa-terra que me acompanha. Tenho usado bastante, em particular, o tom da coleção Antologia, da CIN.
Durante muitos anos, a minha paleta esteve muito ligada aos verdes. Sempre gostei de estar in ‘between colours’: nunca o verde aberto ou o amarelo puro, mas sim tons mais quentes, capazes de transmitir calor visual. Essa escolha esteve muito presente nos meus projetos de interiores e nas minhas intervenções artísticas. Com o tempo, fui fazendo uma transição dos verdes para os tons terra — e daí surgiu a terracota. Esta escolha tem uma ligação profunda com o artesanal, com o barro e com a própria terra. Sinto também uma forte afinidade com cidades como Marrakech, onde as cores estão intimamente ligadas a tons que envolvem e abraçam. Na minha casa nova, utilizei bastante a terracota, combinada com um tom mais escuro — o veneziano — um vermelho profundo, quase cor de vinho. A transição entre esses tons ficou especialmente bonita e traduz algo de que gosto muito: brincar com as variações dentro de uma mesma cor. Da mesma forma, tenho desfrutado cada vez mais deste universo de tons terracota, quando viajo para as ilhas Baleares, o sul da Itália, regiões onde a terracota está profundamente presente, sobretudo nos materiais arquitetónicos, como as argamassas. Essa ligação à ‘dolce vita’ reflete-se de forma muito clara nas minhas escolhas.

Graça Paz | Artista plástica

Na minha paleta há cores que me acompanham sempre, ano após ano. O azul indanthreno é uma delas. Não é tão comum como o azul-ultramarino, nem tão ‘da moda’ como o cobalto. É a cor para além dos azuis, onde eu acho que habitam as respostas de tudo aquilo para o qual não conseguimos ter resposta. É uma cor que prende o olhar porque imediatamente o engole para um mundo de contemplação, dúvida, medo, tranquilidade e paz. 

Églantine Sicat e Pauline Dellemotte | Uncanny Studio 

A nossa cor de 2026 é o Pantone Autumn Leaf 17-1347-TCX. Este Pantone é uma cor que nos ancora, que convida a reconectar com o calor e a realidade da terra e da nossa natureza humana. Num mundo em constante aceleração, impulsionado por avanços tecnológicos e de IA, oferece uma pausa suave, um momento para respirar, sentir e manter os pés no chão. Os seus tons envolventes e acolhedores irradiam calor e generosidade, lembrando-nos que, no meio do progresso, todos precisamos de um toque de conforto natural e estabilidade. 

Rita Valadão | Atelier Rita Valadão 

Se em 2025 a minha cor foi a terracota, não é a cor Pantone para 2026, o branco ‘Cloud Dancer’, que me convence. Em 2026 escolho o Burgundy, que adoro. Transmite vida, não a vida óbvia do verde, porque é mais explosiva; é uma cor que vem do vermelho; por isso, transmite uma vida mais profunda. Chegamos lá por camadas. É pulsante, bate como um coração. É fértil, intensa e feminina. Ao mesmo tempo, é uma cor que também convida ao acolhimento, uma sofisticação sem ostentação. Não é para qualquer casa! É para uma casa que já tem alguma vida, alguma história. A Molteni lançou uma cadeira desenhada por Gio Ponti, em vários acabamentos, e uma das cores usadas é este Burgundy, que eu amo e estou a usar num projeto. É tão simples, tão bem desenhada, superconfortável e, ao mesmo tempo, leve e marca presença. Não é preciso mais nada: é só pô-la no espaço. 

Renata Santos Machado | Ateliê Renata Santos Machado Desenho de Interiores 

Apesar da escolha da Pantone para 2026 ser controversa para muitas pessoas, para nós resultou no match perfeito. Somos apreciadores assumidos da cor branca e usamo-la sem limites nem imposições.  Por isso mesmo, acompanhamos a escolha da Pantone para o próximo ano e entendemos que representa a paz, tão necessária aos dias de hoje, e que promove as emoções de suavidade, tranquilidade, repouso e equilíbrio. Partir de uma tela branca para projetar um espaço branco sobre branco, sem perder vista da funcionalidade, do conforto e da estética, é um dos maiores desafios que um designer de interiores pode encarar. É um exercício que nos obriga a enriquecer o espaço por via das formas e volumes variados, materiais e texturas mais quentes, aposta na iluminação cénica e, por fim, na criação de um jogo de sombras que resulta num impacto visual acrescido. Quando bem conseguido, o resultado é um ambiente intemporal e emocionalmente marcante. Para nós, o branco é o silêncio que diz tudo. Com muito significado.

Michael e Davide | DingDong 

Os fundadores da DingDong em 2012, Michael e Davide, com um portfólio de projetos premiados e destacados em publicações de renome, apontam o Taupe como cor eleita em 2026. “Intemporal, discreta e versátil, esta cor veste muitas peças e espaços, mas no caso da DingDong, a que melhor representa esta escolha é o candeeiro Glaze, da nossa coleção própria, feito em cerâmica. Optámos por esta cor pela sua ligação à terra, que realça a singularidade de cada candeeiro, cuidadosamente produzido à mão. Cada peça é única, com pequenas variações que refletem a autenticidade do processo artesanal”.