Por a 3 Fevereiro 2026

O primeiro espaço da galeria Ceysson & Bénétière na Ásia, em Tóquio, conta com projeto de arquitetura de interiores assinado por Sophie Dries que cruza arte contemporânea, artesanato japonês e uma abordagem wabi-sabi à materialidade e à luz.

Projeto: Sophie Dries / Fotografias: Noam Levinger / Set Design: Arieh Rosen

A galeria de arte contemporânea Ceysson & Bénétière, fundada em 2006 e já estabelecida em várias cidades de França, bem como no Luxemburgo e em Nova Iorque, prepara-se para abrir um novo espaço em Tóquio, assinalando a sua primeira presença na Ásia. Localizado no 8.º piso da Cura Tower, no prestigiado bairro de Ginza, este espaço com cerca de 325 m², integrado num edifício contemporâneo, foi reinventado na sua arquitectura de interiores pela designer de interiores Sophie Dries, recorrendo a materiais crus e naturais.

Distanciando-se do tradicional white cube, Sophie Dries concebeu um espaço singular que alia as funções essenciais de uma galeria de arte ao rigor e à delicadeza do artesanato japonês, num espírito minimalista e wabi-sabi. Ancorado numa reflexão sobre a materialidade e a luz, o projecto dialoga com as ideias desenvolvidas em In Praise of Shadows, de Junichiro Tanizaki. Todo o piso é revestido com blocos de madeira de topo de corte em tons quentes (em madeira de iroko). À entrada, os visitantes acedem à galeria através de um monumental arco em aço corten, que contrasta com o mobiliário em madeira maciça e metal. O aço corten remete também para a arte contemporânea, em particular para a obra de Richard Serra.

O principal desafio do projecto consistiu em criar uma linguagem comum entre o saber-fazer francês e o japonês, sempre ao serviço das obras expostas.

No lounge privado destinado a coleccionadores, o mobiliário feito por medida foi produzido em França a partir de peças da colecção permanente da galeria, incluindo o sofá Croissant, cuja forma envolvente combina elegância e conforto, numa referência lúdica ao icónico pastel francês apreciado no Japão. As mesas Songye, em carvalho maciço e aço corten, foram igualmente adaptadas, pela primeira vez, para funcionarem como balcão de recepção. Um tapete Météor (Edition 1.6.9) introduz uma dimensão orgânica, com um desenho inspirado na natureza, evocando musgos e minerais. Os lustres Glow, em papel machê, emitem uma luz quente que complementa a iluminação ambiente das áreas de acolhimento.

Tecidos de linho cru em malha, da colecção Issé para a Casamance, revestem as fachadas envidraçadas com vista para a cidade. Cerâmicas em grés negro, restauradas através da técnica tradicional do kintsugi, bem como uma coluna olfactiva criada especialmente para a Maison d’Orsay, numa edição exclusiva para o Japão, completam de forma subtil a composição do espaço.

Desde o momento em que chegam pelos dois elevadores, os visitantes são recebidos numa sala imersiva revestida a contraplacado. A livraria em contraplacado, executada por um carpinteiro japonês, remete directamente para o mobiliário de Donald Judd e para a secretária circular concebida por Pierre Chareau para a Exposição Internacional de Artes Decorativas de 1925. De forma oval, funciona como uma “box-room”, apresentando livros e obras sobre papel.

O trabalho manual e a utilização de materiais naturais tradicionais são centrais na prática de Sophie Dries. Colaborando regularmente com mestres artesãos — vidreiros, ceramistas, marceneiros — a designer cria peças únicas onde artesanato e inovação dialogam de forma contínua.

Para a galeria Ceysson & Bénétière em Tóquio, esta abordagem encontra uma forte ressonância no artesanato japonês, reconhecido pela sua precisão e elevados padrões de qualidade. O uso de materiais naturais — madeira, metal, vidro e papel —, a pureza das linhas e o respeito pelo gesto artesanal são valores partilhados entre a visão de Sophie Dries e a dos artesãos japoneses.

Inspirada pela visão de Roland Barthes em O Império dos Signos, Sophie Dries explora aqui o gesto e o detalhe, onde a atenção ao subtil e ao não dito revela uma estética essencial à experiência japonesa da beleza. Este diálogo entre herança e inovação manifesta-se em cada elemento concebido para a galeria, transformando-a num cenário sofisticado para a descoberta e fruição da arte contemporânea.