A Casa dos Sobreiros II explora o equilíbrio entre simplicidade formal, rigor construtivo e uma vivência luminosa, onde a relação entre interior e exterior define a experiência de a habitar.
Projeto: Urbanpolis / Fotografias: Ivo Tavares Studio / segundo memória descritiva
A Casa dos Sobreiros II assume a ambição de criar uma habitação que concilie simplicidade formal, rigor construtivo e uma vivência quotidiana atravessada pela luz e pela relação fluida entre interior e exterior.





Dois eixos principais organizam o edifício e desenham a experiência espacial. O eixo transversal, que acolhe a entrada, é marcado por um pátio interior que introduz luz natural no coração da casa e qualifica os espaços de circulação. O eixo longitudinal, orientado ao jardim a sul, estabelece a relação visual permanente com o exterior e articula o percurso que conduz aos quartos no piso superior. Estes dois vetores definem a ordem do projeto: um sistema claro de cheios e vazios, de transparências e opacidades, que estrutura a relação entre vida social e vida privada.



No rés-do-chão concentram-se os espaços sociais, totalmente abertos ao jardim, transformando-o numa extensão natural da sala e da cozinha. O open space, iluminado por grandes planos envidraçados, reforça a ideia de continuidade e favorece a convivência familiar e a experiência do habitar. Esta relação é ainda acentuada pela suspensão da volumetria superior, que cria zonas de sombra e abrigo, conferindo conforto térmico e enaltecendo a vivência exterior.



No piso superior, os espaços privados organizam-se ao longo de uma galeria longitudinal iluminada por um vão vertical que articula os dois pisos conferindo amplitude e luminosidade. As varandas e recuos presentes nos quartos garantem privacidade, sem sacrificar a luz que atravessa todos os compartimentos.




A entrada principal faz-se lateralmente, permitindo que o percurso do visitante seja uma descoberta gradual da volumetria. Esta solução evita a exposição direta aos espaços sociais, reforça a privacidade dos habitantes e valoriza a experiência arquitetónica.



Na fachada principal, orientada a sul, a grande suspensão marca a identidade da casa. A ligeira inclinação da parede da suite introduz uma tensão subtil no volume, captando melhor a luz e conferindo dinamismo à composição. A fachada lateral revela um jogo de volumes sobrepostos, recortados para acolher a entrada, criando uma dinâmica de cheios e vazios que reforça a expressão volumétrica. A fachada norte apresenta-se como um plano quase cego, onde a única abertura de acesso contrasta com a luminosidade interior, enaltecendo a simplicidade formal e o carácter introspetivo desta frente.



A materialidade e os sistemas de arrumação embutidos baseiam-se na sobriedade e na precisão: superfícies contínuas brancas, caixilharias de perfil mínimo, amplos envidraçados e pavimentos uniformes reforçam a intenção de criar um ambiente depurado e puro. A iluminação — discreta, embutida, alinhada com os eixos geométricos — prolonga à noite a leitura da casa enquanto objeto volumétrico, sublinhando sombras, profundidades e proporções.

Em síntese, a casa é um exercício de equilíbrio entre forma, função e luz. A clareza volumétrica, a articulação cuidadosa entre privacidade e abertura e a relação permanente com o exterior traduzem uma abordagem arquitetónica que procura intensidade na simplicidade e conforto na precisão. A casa propõe uma experiência de habitar única, centrada na serenidade, na luz e na continuidade espacial.
