Por a 8 Janeiro 2026

Numa das zonas mais vibrantes de Lisboa, esta casa de tom azul-esverdeado na fachada é um reflexo do bairro onde se insere.

Interiores: Sá Aranha & Vasconcelos / Fotografias: Ricardo Oliveira Alves

Entre o Tejo e as antigas fábricas renascidas, Marvila tornou-se uma das zonas mais vibrantes e desejadas de Lisboa. Outrora um bairro industrial, é hoje um território criativo, onde galerias de arte, ateliês e cafés convivem com armazéns convertidos em lofts e casas de autor. Neste centro vibrante, acolhida numa rua tranquila, ergue-se uma casa independente que reflete o espírito do bairro.

A casa, totalmente reconstruída a partir das fundações após 2019, ficou pronta no final de 2024 e desenrola-se numa sucessão de espaços pensados para a vida familiar. No piso térreo, o hall de entrada conduz a uma zona de estar luminosa, onde sala, sala de jantar e cozinha comunicam entre si e com o jardim. No exterior, uma piscina triangular desenha um prolongamento natural da casa — um refúgio fresco para os dias quentes.

“Tenho três filhas e cinco netas — esta é uma casa vivida com alegria”, conta-nos Bébé Mesquitella, proprietária da casa. E foi justamente essa energia que deu forma ao projeto de arquitetura, pensado para acolher e partilhar. No primeiro piso, duas suítes — a principal e a de visitas — garantem conforto e privacidade, mantendo o mesmo fio condutor estético: a elegância natural dos materiais e a harmonia das cores.

Os interiores, assinados também por Sá Aranha & Vasconcelos, respeitaram o caráter da casa e o gosto pessoal da proprietária, integrando móveis, quadros e esculturas de família. Na zona de estar, destacam-se os sofás, almofadas, mesa de centro e banquetas fornecidos pelo ateliê; na sala de jantar, a mesa e o candeeiro de teto acrescentam sofisticação. As cadeiras, peças de família do século XVIII, assim como o canapé da entrada, sobre o qual está um quadro de herança de família que retrata D. António Manuel de Vilhena (1663-1736), que foi o 66.º Grão-Mestre Soberano da Ordem de Malta  reforça essa harmonia entre o moderno e o antigo.

Os acabamentos revelam o cuidado em cada detalhe: o chão em tijoleira manual vidrada, em tom de manteiga, prolonga-se até ao jardim, e as casas de banho revestidas a travertino — material preferido da dona da casa — conferem textura e luz.

Na fachada, o tom azul-esverdeado evoca a cor original e o passado fabril da zona. A entrada, feita por meio de um portão de madeira que se abre para um pátio empedrado, revela uma fachada envidraçada que permite que a luz percorra o interior. Entre o passado fabril de Marvila e a modernidade discreta do projeto, esta é uma casa que, no fundo, tem uma alma lisboeta — um lugar onde o tempo abranda, feito de afeto e elegância.