O coletivo González Estudio Arquitectura partiu da pré-existência, das necessidades do utilizador e da recuperação para projetar a Casa Cisterna. O nome foi escolhido para dar protagonismo a um antigo reservatório de água elevado localizado na fachada posterior.
Projeto: González Estudio Arquitectura
Os eixos e vãos existentes do reservatório de água, claramente definidos, deram aos arquitetos a ideia: utilizá-los como base para o desenvolvimento do projeto.
O projeto está implantado num terreno de 15 metros por 34 metros de profundidade, que contava com uma construção existente em avançado estado de deterioração. Foi preservada a distribuição e a proporção dos espaços, demolindo coberturas em mau estado, ampliando uma pequena área na frente e ajustando as paredes existentes para atender às necessidades espaciais do cliente.
A fachada, marcada pelos eixos da construção antiga, é dividida em três partes, que por sua vez definem a setorização do projeto: a área de serviço à esquerda, a área social ao centro e a área privada à direita. Para enfatizar essa divisão, foram combinados os elementos que compõem a linguagem do projeto: a alvenaria como elemento arquitetónico e decorativo, em tributo ao acabamento pré-existente; os ‘cobogós‘, elementos típicos da linguagem urbana de Mérida (México); e o cimento, amplamente utilizado em todo o projeto.


As estruturas e divisões dos ambientes foram, na sua maioria, preservadas e unificadas por meio dos materiais utilizados. Os mosaicos hidráulicos originais em tons de areia e tijolo unem as áreas sociais — hall/galeria/sala de jantar, estar e cozinha. O uso de revestimento à base de cimento nas paredes, assim como a pintura preta nos tetos, une todos os ambientes internos.
A simplicidade foi fundamental na escolha dos materiais para o interior. Mobiliário de cimento executado ‘in loco’, como bancos, bancadas e lavatórios, compõe a cozinha e os espaços de banho, adornados com mosaicos hidráulicos nas cores branca, preta e cinza, criando uma base neutra para a decoração do cliente.
Atravessando a casa principal e no centro do projeto, o jardim social, emoldurado por móveis de cimento e uma pérgola de cipó, separa a construção antiga da nova. A piscina em cimento percorre esse espaço externo, partindo da antiga cisterna, conferindo-lhe destaque. Esta cisterna foi convertida num chuveiro externo de apoio à piscina e, por meio da iluminação instalada, funciona como elemento escultórico. Buganvílias, palmeiras e trepadeiras contrastam com o uso do cimento, de caráter parcialmente brutalista.
A nova construção consiste numa casa de hóspedes completamente independente da casa principal, atendendo às exigências de privacidade do cliente. O ponto focal dessa construção é uma escada em espiral totalmente construída em cimento, em homenagem à forma circular da antiga cisterna. A casa de hóspedes, distribuída em dois pisos, conta com uma pequena cozinha completa e um quarto em cada andar, ambos com casa de banho privativa.
Trabalhando com elementos de privacidade, experiências singulares e a incorporação dos elementos decorativos utilizados no restante do projeto, a casa de banho da suíte, no piso térreo, possui apenas um duche externo, protegido por cobogós e uma porta de serralheria com vidro fosco. No interior, um móvel de cimento com elementos extrudados em três direções emoldura o lavatório. O WC do piso superior é composto por um móvel para o lavatório e uma banheira, também de cimento, destacada por uma parede revestida com mosaicos hidráulicos que abriga o duche.







