Por a 23 Dezembro 2025

Numa das sete colinas de Lisboa, a Lapa, esta casa é como uma conversa entre o passado e os dias de hoje. Um diálogo entre o orgulho da traça original e a capacidade de reinventar, sem deixar de contar a sua história.

Design de interiores: Pureza Faria Blanc / Fotografias: Carlos Vasconcellos / Produção: Amparo Santa-Clara

No coração da Lapa, entre as ruas tranquilas e o murmúrio discreto de um dos bairros mais exclusivos da cidade, esta casa desenrola-se como uma conversa entre o clássico e o contemporâneo. Ao todo, são 190 metros quadrados de interior e um jardim de 70, uma pequena raridade em Lisboa, onde o verde se mistura com a luz que entra pelas janelas altas. Aqui, o ateliê de Pureza Faria Blanc assina o projeto de decoração, que celebra a harmonia entre o tempo e o conforto, entre a tradição e o presente.

A casa, explica-nos Pureza, foi alvo de uma remodelação total pelo TEMPO Studio e chegou às suas mãos para ganhar vida — cor, textura e alma. A traça original, com os seus tetos trabalhados, o pé-direito generoso e o soalho em madeira, foi respeitada e exaltada. O desafio, sublinha, estava em atualizar o espaço sem o descaracterizar, em criar um diálogo subtil entre passado e modernidade.

Os proprietários, um casal com dois filhos, procuravam uma casa prática e acolhedora, onde simplicidade fosse sinónimo de elegância e conforto. E foi precisamente essa atmosfera “cosy”, tão desejada, que serviu de fio condutor ao projeto. A sala, a sala de jantar e a cozinha abrem-se para o jardim, criando uma continuidade fluida entre interior e exterior — uma espécie de refúgio urbano onde o tempo abranda.

Na decoração, Pureza combinou peças clássicas com outras mais contemporâneas, equilibrando estilos com naturalidade. O resultado é um espaço vivido, alegre e sofisticado, onde a cor assume um papel essencial: os sofás em tom turquesa, por exemplo, tornam-se o centro de gravidade da sala, irradiando energia. As obras de arte são todas de artistas portugueses, exemplo disso são o díptico da sala, do Homelier da Rita Fernandes e as telas no quarto e sala de jantar, da ani.s.t.u.d.i.o da Ana Pinto Efe. O mobiliário de fabrico nacional reforça a identidade do projeto — uma ode à criatividade local e ao design feito com propósito.

Mas é na personalização que esta casa revela o seu carácter mais íntimo. Várias peças foram desenhadas à medida, pensadas para se fundirem com o espaço e o estilo dos moradores. A mesa de jantar, com os pés em mármore compacto verde da RMC, é uma das grandes protagonistas: uma peça escultural, sólida e elegante, que reflete a atenção ao detalhe e o prazer do ofício. A mesa de centro e as cadeiras de jantar, também feitas por medida, seguem a mesma lógica de exclusividade e coerência estética.

O charme da casa original permanece — mas a casa evoluiu para dar resposta às necessidades modernas. Entre o brilho da madeira, a beleza dos tetos e a leveza das cores, esta casa na Lapa é o retrato do equilíbrio entre o que já foi e o que está para vir. Um espaço que continua a contar a sua história e que acolhe, inspira e convida a ficar.