Uma casa, três limites, três oportunidades. Pelo coletivo uruguaio Masa Arquitectos; fotografias: Federico Cairoli

A conurbação de Montevidéu (Uruguai) no seu limite oriental tem vindo, ao longo dos anos, a tomar conta da orla costeira de Canelones, transformando antigos balneários exclusivos para o verão em habitações permanentes.

A paisagem desta zona foi-se transformando gradualmente, para uma paisagem híbrida, entre a cidade e o litoral, o urbano e o suburbano. Pensar numa casa neste contexto envolve trabalhar a dualidade entre uma vida intermitente e uma vida contínua. Esta, intensifica-se ainda mais se pensarmos que o solo, que sustenta a casa, está localizado num dos setores menos densos do balneário, ou seja, uma área com crescente urbanização, e num terreno ainda acidentado.

Artificial, natural – Natureza e artifício são termos complementares que se definem por contraste e se reforçam mutuamente na sua presença mútua. A paisagem natural é realçada pela geometria da construção, e a casa parece mais habitável e protetora na presença de uma paisagem natural mais selvagem e mais preservada.

O envelope apresenta-se como um filtro que dilui as extremidades, um véu, podendo ser amplamente aberto, permitindo que a natureza entre na domesticidade do lar.

Rudimentar, sofisticação – A casa é entendida como uma casca exterior rudimentar, feita de elementos primários com poucos acréscimos estéticos, que se opõe à sofisticação tecnológica e material interior, típico da vida contemporânea.