Fotografia: EricRoth/photoforpress.com

Localizado em Boston, o duplex do designer Frank Roop evidencia referências do mundo da moda, setor que abraçou no início da sua carreira, não apenas na escolha das peças, algumas com um tom algo provocativo, como também, na sua disposição e no modo como se relacionam.

Na zona histórica de Back Bay, em Boston, existe uma rua que é uma elegante junção de disparidades. As suas casas do séc. XIX, os passeios em tijolo e os seus jardins dão-lhe um charme Edith Wharton, mas os arranha-céus nas suas margens acrescentam-lhe um toque urbano. Tal como esta zona onde está inserido, o apartamento de Frank Roop tem esta mistura do antes e do agora.

Distribuído em dois andares num prédio de 1865, o apartamento, com um grande pé́ direito, deu o mote, e despoletou a vontade do casal, Roop e a mulher Sharon, de adquirir esta casa. O casal, que se conheceu na escola de design de moda, vivia num condomínio perto, mas ambicionava mais espaço para poder receber. 

Para ambos, organizar cocktails para 60 pessoas não é uma coisa fora do normal, mas não foi apenas a lista de convidados extensa que encorajou os Roop a tomarem a decisão de se mudarem para este apartamento, havia também o desafio de se afirmarem numa escala maior. “Honestamente”, diz o designer, “não via a hora de pegar nos quartos com este pé́ direito”. 

Foram meses de recuperação e investigação de detalhes vitorianos que culminaram em interiores contemporâneos, como um vestido de alta costura. A sofisticada mistura de arte, peças vintage e outras feitas à medida, foi influenciada pelos anos durante os quais Roop trabalhou para a luxuosa loja de roupa Louis Boston, antes de abrir o seu negócio de design de interiores. “Olho para um quarto como se estivesse a olhar para um fato ou guarda roupa”, explica, enquanto estica uma cortina em lã cinzento pálido, perfeitamente rematada em seda e pele, em dois tons de verde. “Todos os materiais que utilizo são inspirados em roupa, tais como os meus métodos de escolher textura e cor”. Uma influência forte foi o seu antigo patrão, Murray Pearlstein. 

Sobre ele, o designer acrescenta: “Aprendi que coisas que não condizem entre elas, podem dar um resultado final, fantástico!”. É o que acontece na sala. Um sofá́ azul índigo com as mesas pretas dos anos 60 e as mesas sírias em madre pérola ao lado das cadeiras de linhas direitas, em linho. 

A parede que envolve a lareira em pedra é revestida com centenas de pastilhas opalescentes, enquanto o resto das paredes são cobertas com papel que imita blocos de calcário. O conjunto é elegante, pontuado por cores chiques, algumas vezes drásticas, onde o castanho chocolate se conjuga com o verde e o azul. 

Neste apartamento, o casal recebe amigos todas as semanas, mas também é onde o designer trabalha algumas horas:” É suficientemente sofisticado para dar festas, mas também suficientemente normal para me sentir confortável usando-o como o meu segundo escritório”. 

As obras no apartamento duraram 8 meses. As alterações não foram assim tão grandes, mas em relação aos detalhes, Roop foi exigente. 

A casa de jantar que liga diretamente com a cozinha aberta (uma exigência da sua mulher) é centrada numa lareira a gás, feita em mármore travertino. Quando não têm convidados, o casal passa a maior parte do tempo no outro canto da sala que serve de sala de televisão. 

“Existe um ditado que diz: ‘Somos nós que devemos usar as nossas roupas e não as roupas a nós’. É assim que eu vejo um espaço. 

Por mais bonito que pareça, queremos sentir que estamos envolvidos. No soalheiro quarto principal, as texturas fazem com que o espaço ganhe vida. Na verdade, um quarto é como um fato, composto por peças aparentemente diferentes, mas que juntas resultam bem”.