Uma família numerosa com uma habitação à altura exige mais do que ginástica ou engenho. A decoradora Joana Pereira Caldas foi chamada a intervir e o resultado está à vista.

Fotografia: Revista Urbana I Texto: Mafalda Galamas

Se falasse, este T5, situado na Lapa, contar-nos-ia histórias de outro século, das décadas em que as divisões era pequenas, e de que quando nem todas… Eram para todos. Do tempo em que nas cozinhas apenas as mulheres entravam e, das salas, apenas eles desfrutavam. Hoje, o mesmo T5 renasceu.

Pela visão do arquiteto João Santos Lima derrubaram-se paredes, elevaram-se outras e tudo ganhou uma nova dinâmica. Este apartamento é agora uma casa cheia de crianças e jovens, (já) adolescentes, onde os proprietários gostam de receber e celebrar a vida. São, por isso, necessárias áreas comuns agradáveis e, acima de tudo, funcionais. Aqui, fundem-se diferentes gerações e todos desfrutam de cada um dos espaços, em simultâneo.

Algumas das características mais marcantes da habitação foram mantidas, Do pavimento às portas de madeira com vidro “ martelado”. De base clássica e paleta de cores neutras, o ambiente é bastante convidativo. Em termos de decoração, a designer de interiores optou por dois sofás grandes, feitos por encomenda, que servissem para toda a família. Os diversos tecidos das almofadas, linhos com padrões de riscas ou flores foram adquiridos na Pedroso & Osório.

Ao centro, os pufes foram estofados da settes e acrescentado um crochet para pousar em cima. A mesinha de apoio, em ferro, contrasta, propositadamente, com a linha tradicional do apartamento, em concreto com elementos como o recuperador de calor, os candeeiros ou o armário de madeira. Os quadros são de família, o avô da proprietária era colecionador, e conseguiu reunir artistas como Júlio Pomar, para citar apenas um exemplo.

Ao lado, a mesa de jantar redonda foi desenhada por Joana Pereira Caldas e executada no Norte do País. Propicia agradáveis momentos de convívio sempre iluminados pelo lustre recuperado em tons de cinza. As cadeiras de carvalho  com decapé em branco têm estofo em pano cru. Alguns elementos decorativos originais, como os frascos envelhecidos em cima da mesa, tornam o espaço ímpar.

Daqui, podemos observar com detalhe a maior surpresa da casa: um mezanino, construído num espaço anteriormente confinado a arrumos, é, nos dias que correm, palco das maiores tertúlias entre amigos. Tudo foi pensado ao pormenor e uma pequena kitchenette auxilia nos aperitivos. Ou digestivos. Os candeeiros suspensos são João Lopes iluminação e os enormes pufes no chão foram mandados fazer com tecido settes. A arca ao centro era de família e assenta num tapete Ikea.

Ao fundo, dois degraus dão acesso ao pequeno terraço com vista privilegiada sobre Lisboa. Em baixo, a cozinha é outro dos espaços onde, de quando em vez, se concentram amigos em amena cavaqueira. Recuperada, os armários mantêm a linha mais clássica do restante apartamento, embora com cinzento antracite no interior, num suave toque de modernidade. O pavimento em mosaico hidráulico de tom rosa foi propositadamente mantido e faz ligação comos candeeiros suspensos da mesma tonalidade.

Também as instalações sanitárias foram recuperadas, com revestimentos de cor neutra, onde o branco é o denominador comum.

Na zona mais privada da casa observamos o quarto de casal, com a cama situada ao centro, virada para a frente, permitindo assim, o usufruto da melhor vista do quarto. A cabeceira é em napa e está encostada à cómoda que abre para o outro lado. Na cama, as almofadas tem antigos  bordados de família, conjugadas com outras com tecido de tons verdes, que lembram um certo estilo romântico. 

Os restantes quartos, dos filhos, foram pontuados  com mais cor, tornando-os espaços jovens e alegres como se pretendia.