O Atelier Boom-Town assina o projeto de uma casa e novo estúdio de madeira queimada para um artista plástico que pinta com o recurso ao fogo.

Fotógrafo: RAPHAËL THIBODEAU


Este é o resultado de uma longa história que começou há vários anos com um encontro com Steven Spazuk e o Studio Boom-Town um artista único que pinta com fogo. Steven queria libertar-se das restrições de espaço de seu atelier apertado no sótão da sua casa em Léry, nas margens do Lago Saint-Louis (Monteral, Canadá).

A primeira versão do projeto do estúdio havia sido desenhada no próprio lugar e montada no quintal. E uma vez que o uso de “ateliês de artista” era proibido para edifícios acessórios naquele município, estava fora de questão para o artista realizar as suas criações às escondidas numa “garagem”. O seu desejo de afirmação e criação não poderia ser expresso em tal lugar.

Além disso, as fundações e as restrições do local inicial fizeram, de imediato, os custos de construção subirem rapidamente. De que adianta viver da sua arte quando, para pagar a hipoteca, o artista precisa de voltar ao seu antigo emprego para se dedicar à criação? Isto é o início da história, da sua procura por um armázem de obras para uma casa e o estúdio. O local procurado incluiria uma imensa área arborizada frequentada por uma colónia de pássaros.

Esta premissa revelou-se um projeto de vida para o casal, amante da fauna e da flora. O Atelier Boom-Town partiu em busca do lugal ideal, e foi amor à primeira vista. O casal adorou a propriedade em Franklin, na Blackwood Street, já na fronteira com os Estados Unidos.

Foi a oportunidade de concretizar o projeto, adicionando aos componentes estruturais da casa o estúdio com que Steven sonhava há anos. O orçamento não sofreu alterações, manteve-se contido, a forma seria simples, mas o contexto possibilitou a criação de um projeto que se integraria natural e perfeitamente com as construções existentes e com o ambiente natural.

O vasto espaço foi essencialmente dedicado à criação e layout de uma zona de escritórios. A posição das aberturas foi projetada para permitir que a luz natural ilumine criteriosamente o ateliê permitindo que o artista se relacione com a natureza. Um espaço inteiramente em vidro torna possível ligar o estúdio à casa.

A casa original é branca com telhado de zinco preto. O jogo de contrastes preto e branco prevaleceu.
Como o fogo é o cerne do método de trabalho do artista, o revestimento de madeira queimada foi a opção lógica para cobrir o volume principal do estúdio. Uma grande clarabóia branca abre uma fenda na fachada sudoeste, para captar o sol da tarde com moderação.

FICHA TÉCNICA:

Ano de conclusão: primavera de 2020
Superfície (área de construção): 74 m2
Arquiteto: atelier BOOM-TOWN
Revestimento: Arbres & Bois

Sobre o atelier BOOM-TOWN

Historicamente, Boomtown está associada às cidades “cogumelo” criadas perto de complexos industriais e minas nos anos de 1890 a 1920. Este tipo de casa facilmente reconhecida pela sua fachada simples e formato quadrado. O telhado é plano ou quase plano, uma inovação para a época. A popularidade da casa Boomtown deveu-se principalmente ao aumento do espaço e aos baixos custos de construção.
Um século depois, o ateliê propõe uma releitura da arquitetura de edifícios em escala humana com base nos princípios originais da casa Boomtown: Simplicidade e eficiência. Trabalhando com espaço, luz e matéria, Boom Town projeta casas contemporâneas, adaptadas à vida moderna.