O espaço amplo de uma antiga padaria na Sé era tudo o que o dono desta casa procurava!

Texto: Marta Lucena / Fotografia: José Manuel Ferrão

A história desta casa começa num domingo de sol, quando o atual proprietário andava a passear pela Sé com os olhos postos nas placas de venda de espaços/armazéns. “A certa altura vi um “vende-se” num portão de uma garagem com charme. Já há algum tempo que procurava armazéns em bairros históricos. Gosto destes espaços amplos de antigas padarias de Lisboa e cheguei a pensar várias vezes que um dia ainda teria uma casa numa padaria.

Nessa altura trabalhava numa empresa que passava por um processo de venda e o armazém que procurava funcionaria como casa/atelier porque um dos meus hobbies (desenhar candeeiros com vidros de época) estava a ponto de se tornar um negócio”.

Quis o destino que aparecesse a dita antiga padaria à venda! “O espaço não era nada do que hoje existe, depois de 7 meses de obras. Tinha paredes em bruto e estava bastante destruído. Refiz todo o sistema de águas e eletricidade e acrescentei o mezanino onde fiz o quarto que alterou bastante o especto”. A decoração é do próprio dono da casa que foi juntando peças ao longo de 15 anos.

Com imaginação e humor teve a preocupação de aproveitar coisas antigas integrando-as no espaço renovado: “parecia que cada coisa já tinha o seu lugar destinado o que me facilitou muito o trabalho”. Desde a enorme mesa de cortar bacalhau suficientemente grande para as grandes jantaradas com amigos, cadeiras com diferentes personalidades tal como as pessoas que se sentam nelas, o lustre que foi um achado e que depois de comprado numa loja de consignações ali ficou durante vários meses à espera ao ponto do dono da loja o querer comprar de novo, os móveis de gavetas que pertenciam a uma gráfica com os seus compartimentos para guardar letras, as cadeiras da sala compradas num antiquário de Campo de Ourique ou o sofá mandado fazer à medida por uma designer amiga do dono da casa que o ajudou em todo o processo das obras, escolha de materiais e execução de tudo o que ele ía imaginando, tudo tem a sua pequena história e foi escolhido segundo um código de estética muito pessoal.

E apesar de ser um espaço verdadeiramente urbano e original, a casa não deixa de ser confortável. Tudo o que gostamos de mostrar.  “Vou ter saudades de morar na Sé numa rua com tanto charme” mas por enquanto a vida levou-o até S. Paulo onde não esconde que gostaria de poder reabilitar mais casas com alma!

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