A Norte, o projeto de arquitetura da moradia T3 é um exercício de abordagem espacial, dado o sítio – um lote estreito e longo -, mas também de como as texturas e cores dos materiais usados e todas as soluções de interiores se unem para um resultado eficaz e harmonioso. O projeto de interiores e decoração é assinado pela arquiteta Maria Barros.

Fotografia: Ivo Tavares Studio  / Texto: Isabel Figueiredo

A residência unifamiliar, construída de raiz, está inserida num lote bastante estreito e comprido, com uma área coberta de 350m2, distribuídos por dois pisos – cave e rés-do-chão – e tem projeto de arquitetura do coletivo Esteves & Associados. Os clientes, um casal  de empresários na faixa etária dos 50 anos, com dois filhos já em idade adulta, pedia soluções que reunissem a sensação de espaço e de conforto, uma boa dose de luz interior e funcionalidade. Estas demandas e necessidades couberam à arquiteta Maria Barros resolver e cumprir, que pegou no projeto ‘em bruto’. Logo à partida, um desafio cheio de requisitos, mas também uma oportunidade para desenvolver um projeto à medida.

O lote aloja o edifício, que se caracteriza, entre outros elementos, por dois pátios, um deles maior, e o principal, onde foi plantada uma oliveira e que serve, em boa parte, para iluminar as escadas de acesso à cave e alguns compartimentos deste piso subterrâneo. 

A zona privada é constituída por três quartos com grandes envidraçados (a suíte do casal e os dois quartos dos filhos) e uma casa banho de apoio. O corredor dos quartos é iluminado por um segundo pátio, mais pequeno e reservado, gizado para promover a entrada de luz natural não apenas aqui como nas duas casas banho de apoio.

Para a zona social destinaram-se o hall, o lavabo social e a sala de estar/jantar,  bastante ampla, que é partilhada com a cozinha ,  – também esta entregue em bruto e, por isso, favorável  ao processo criativo permeável a todas as modificações necessárias; o espaço está dividido por uma ilha central onde se preparam e servem as refeições do dia a dia.

À semelhança dos quartos, também a sala de estar goza de um generoso plano envidraçado o que permite o prolongamento visual da mesma para o terraço, onde se localiza a piscina.

A partir do hall acede-se, pelas escadas, ao piso inferior. Este colhe os benefícios da iluminação natural proveniente do pátio principal e aqui alojam-se uma sala de vinhos e garrafeira – um pedido dos proprietários, grandes apreciadores de vinho e bons anfitriões -, a lavandaria, uma casa de banho de serviço, os balneários de apoio à piscina e a garagem.

Relativamente aos materiais, Maria Manuela Barros optou por, na zona privada, usar um reboco nas paredes estanhado cor cinza claro , carpintarias lacadas à cor da parede e pavimentos em madeira de nogueira americana. Nas casas banhos, as paredes e o pavimento são da Porcelanosa, em tons neutros, bem como na cozinha. Aqui, os móveis  são lacados a alto brilho à cor da parede e as bancadas e ilha são em Dekton, ideal para grandes superfícies pela sua resistência e amplitude de cores.

Descendo à cave, a sala de vinhos exibe um móvel garrafeira, mesa, bancos e sideboard desenhados à medida, em madeira de nogueira americana; o chão tem revestimento da Porcelanosa .        

“De um modo geral, os interiores desta casa, dos revestimentos aos acessórios e mobiliário escolhidos, são defendidos pela neutralidade e minimalismo”, diz-nos a arquiteta Maria Barros, que justifica a necessidade de ter “apenas o essencial”.

“Uma outra demanda dos proprietários foi a de nesta nova casa tudo ter de ser a estrear, tendo trazido da sua anterior morada apenas os retratos de família, os livros e algumas estatuetas africanas, adquiridas durante as suas viagens”, prossegue.

Tudo aqui foi pensado ao detalhe, apostando-se no conforto, acima de tudo, refletido nos tons sóbrios, dos revestimentos aos têxteis – caso, por exemplo, das cortinas brancas com tecido leve  e transparente, da Aldeco – exceção feita para alguns objetos decorativos ou obras de arte. Se o desafio era grande, pela amplitude de possibilidades, o resultado afigurava-se equilibrado e consistente. Um diálogo perfeito entre arquitetura, volumes, luz e cores. Tudo a postos, portanto, para uma nova fase da vida de uma família onde a harmonia é, à semelhança da sua nova casa, palavra de ordem.