
Fundado em 1989 e sediado em Ovar, o Atelier d’Arquitectura Lopes da Costa desenvolve projetos de arquitetura, urbanismo, arquitetura de interiores, reabilitação, remodelação e paisagismo. A sua prática afasta-se de formalismos e modas passageiras, privilegiando o respeito pelos lugares, pelas escalas e pelas especificidades do território. Cada projeto nasce de uma abordagem contida e consciente, conciliando tradição, modernidade e contemporaneidade, sem excessos ou afirmações autorais. O trabalho é desenvolvido em estreita proximidade com o cliente, garantindo acompanhamento técnico rigoroso em todas as fases, apoiado por equipas especializadas. O resultado são soluções intemporais, pensadas para viver e usufruir com conforto.
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Remodelação Apartamento J.C.
Imagens: João Margalha
O apartamento, localizado na Foz do Douro, com cerca de 500 m² distribuídos por dez divisões, foi adquirido para ser transformado numa habitação familiar contemporânea, luminosa e funcional. Inserido num edifício dos anos 70/80, o apartamento apresentava uma compartimentação irregular, especialmente na zona privada, e acabamentos excessivamente datados. Apesar disso, destacava-se pelo enorme potencial, graças à sua dimensão generosa, à excelente exposição solar e às vistas privilegiadas sobre o mar e a cidade.
A intervenção arquitectónica centrou-se na reorganização e racionalização dos espaços, “limpando” a planta original, eliminando torções e criando uma leitura mais ortogonal e fluida. A zona dos quartos foi completamente redesenhada, dando lugar a quatro amplas suites, mantendo-se a localização dos espaços de banho, embora totalmente renovados. As áreas sociais foram reformuladas e redimensionadas para tirar o máximo partido da luz natural e da vista deslumbrante a poente.
A entrada faz-se por um amplo espaço de hall e estar, que se abre para a varanda e para o mar, distribuindo a norte, a sala de jantar, em ligação directa com a cozinha e a sul, a zona de estar organizada em dois ambientes, um de lareira e outro de televisão. A cozinha, dominada por tons de branco, integra uma ilha central com mesa para pequenos-almoços e ocupa a antiga sala de jantar. As grandes superfícies envidraçadas conferem-lhe uma relação visual privilegiada com o exterior.
Ao nível dos materiais, optou-se por uma paleta sóbria e elegante, procurando a intemporalidade: madeira de Afizélia em tom mel, lacados em branco quebrado, soalhos de Afizélia nos quartos, mármore “Teak Wood Grey” nas salas e pavimento em vidro cristalizado “Crystal White” na cozinha.
A decoração segue uma linguagem contemporânea e contida, recorrendo a tecidos em tons terra e castanhos, pontuados por discretos apontamentos de cor, como o vermelho lacado nos aparadores da sala de jantar, que surgem de forma subtil também na zona de entrada.
Algumas peças de mobiliário foram desenhadas especificamente para o espaço, tais como os móveis de apoio nas salas e quartos, reforçando a coerência entre a intervenção arquitectónica e de interiores.
Casa R.V.
Imagens: Ivo Tavares Studio
Amplo, espaçoso e com muita luz natural, o apartamento foi projetado com recurso a peças de desenho simples e elegantes bem como uma paleta de cores neutras, trabalhadas de modo a criar contrastes suaves e equilibrados. A casa situa-se num terreno longo e estreito, o que condicionou a forma longa e comprida desta construção distribuída em dois pisos.
O acesso automóvel é efectuado perpendicularmente ao lado maior do terreno, a partir da Rua Maria Albertina, enquanto o acesso pedonal tem lugar, a Sul, pela Av. da Régua, conduzindo a Nascente, ao longo da casa até à entrada da mesma. Daí e a partir do hall de entrada, acede-se, a Sul, às salas, cozinha e quarto de amigos e a Norte à garagem e ginásio.
No piso superior, de menor dimensão, localizam-se os dois quartos com um banho comum, a suite principal e um escritório.
A casa, de forma longiforme, tenta tirar o melhor partido da relação com o exterior e do quadrante solar. As zonas sociais e de lazer, abrem-se a Poente e a Sul, disfrutando de um longo pátio parcialmente coberto. A Nascente a circulação interior faz-se em espelho com o acesso pedonal exterior apenas separados por um grande envidraçado.
No piso superior, os quartos e escritório abrem-se sobre grandes varandas e terraços, ora a Nascente, usufruindo da luz da manhã, ora a Sul.
A volumetria é marcada pela horizontalidade, acentuada pelas lajes e vigas em reboco branco, que contrastam com o revestimento das paredes em ladrilhos de cimento, que conferem plasticidade e animação ao conjunto. Os vazamentos das lajes ao nível do 1º andar e os grandes envidraçados, completam a linguagem da construção.
A ideia conceptual assenta num desenho simples, depurado e quase minimalista em oposição ao exagero formal e de linguagens existentes.
Marlim D. João IV
Imagens: Ivo Tavares Studio
A intervenção localizada na rua de D. João IV, no coração da cidade do Porto, teve como objectivo converter um conjunto de dois edifícios, de cave e três pisos, em 10 apartamentos de diferentes tipologias, usufruindo dos generosos espaços ajardinados localizados no interior do terreno.
A intervenção pretendeu salvaguardar o carácter e personalidade da preexistência, dotando-a de melhores condições de habitabilidade e conforto, conjugando e recuperando o essencial do existente e adaptando os espaços às funcionalidades e vivências contemporâneas, através de novas soluções, materiais e acabamentos.
A entrada é feita pelo edifício a norte, que, a partir da sua caixa de escada, permite o acesso a todos os apartamentos, sendo possível aceder ao edifício a sul, através dos patamares intermédios, pois a diferença de cota entre os dois é de cerca de meio piso. O edifício norte encontrava-se em melhor estado de conservação, pelo que a intervenção passou sobretudo por construir novas cozinhas e novas instalações sanitárias. As demolições, resumiram-se, pois, a algumas paredes e vãos interiores, tendo sido mantidos e recuperados, na medida do possível, toda a estrutura em madeira, os pisos em soalho, a cobertura, os tectos trabalhados, frisos, guarnições, rodapés, paredes e caixilharias interiores, salvaguardando o carácter e a memória do existente. No edifício a sul, que se encontrava muito degradado e cujo interior era quase inexistente, manteve-se o essencial das paredes exteriores, reconstruindo todo o interior com maior liberdade espacial, mantendo a fachada Poente, voltada à rua de D. João IV. Em contrapartida, nas fachadas viradas ao logradouro, que se encontravam bastante adulteradas e degradadas, optou-se por uma linguagem mais contemporânea uniformizando a intervenção como um conjunto mais homogéneo. Optou-se ainda, em ambos os edifícios, por fazer o aproveitamento dos vãos de telhado, com a construção de mezaninos permitindo a criação de espaços polivalentes complementares, iluminados e ventilados por clarabóias.
O conjunto ficou enriquecido com a requalificação do logradouro de usufruto comum, a que todos os apartamentos têm acesso. A norte propôs-se a criação de um espaço exterior coberto, de forma a diminuir o impacto visual e volumétrico das construções vizinhas. A sul requalificou-se parte da construção anexa existente, onde se localizou uma sala de condomínio com copa e banho de apoio.
Finalmente, a uma cota mais alta e por isso com óptima exposição solar, localizou-se uma piscina e respectivos espaços de apoio, enquadrados numa generosa área verde e de onde se pode usufruir de uma vista única sobre a cidade.
Casa J.M.C.
Imagens: Ivo Tavares Studio
A casa localiza-se num terreno de forma triangular e com uma pendente acentuada quer ao longo da rua de acesso, no sentido Nascente/ Poente, quer no sentido Sul/ Norte, o que condicionou a sua forma e volumetria.
A implantação da construção faz-se no topo Nascente, na cota mais elevada, abrindo a casa sobretudo a Poente e distribuindo-a por três pisos, tirando partido da pendente do terreno. O acesso pedonal e automóvel, através da rua Dr. Domingos da Silva Coelho, são feitos a cotas diferentes, aproveitando o declive natural do arruamento e do terreno. Assim, e a uma cota superior, na qual foi implantado o rés-do-chão, encontra-se o acesso pedonal, que através de uma pala, conduz à entrada da habitação. O acesso automóvel, localizado mais a poente, e a uma cota inferior, conduz a um pátio, em parte coberto, que liga à garagem e a uma entrada de serviço, localizadas na cave. Estes dois níveis relacionam-se exteriormente, quer através de uma rampa localizada a Sul, quer por uma escada que liga o pátio do rés-do-chão, junto à piscina, ao pátio de estacionamento da cave.
No piso do rés-do-chão situam-se a sala comum, a cozinha e, no topo Norte, o quarto/ escritório e o banho de apoio. Todos estes espaços se abrem a Poente sobre o terraço e sobre a piscina. A cozinha relaciona-se mais com o pátio coberto, rematado pelo volume que contém o banho de apoio exterior e a churrasqueira. A escada, situada no topo Sul, articula os 3 pisos. No primeiro piso, a distribuição dos três quartos, todos suites, é feita por um corredor parcialmente aberto para um pé-direito duplo sobre o rés-do-chão. A suite principal foi localizada no topo Norte, sobre o quarto/ escritório do piso inferior, constituindo o balanço destes dois pisos sobre o piso da cave. Na cave, situam-se, a garagem, a despensa e a lavandaria, um banho de apoio e ainda um salão polivalente, aberto para um pátio/ saguão, a Nascente.
Procurou-se, assim, criar um conjunto homogéneo, com uma volumetria e uniformidade formal, em que os materiais contribuem para uma diferenciação dos pisos, tornando o volume mais dinâmico e menos compacto.
A piscina localizada na parte posterior do terraço do rés-do-chão, balança sobre o terreno a poente, e articula-se visualmente com os espaços de estar interiores e zona coberta exterior. Os arranjos exteriores, tal como a organização interna da habitação, procuraram optimizar a relação visual e funcional entre exterior e interior, tirando partido da melhor disposição
Edifício Seashore
Imagens: Ivo Tavares Studio
O edifício localiza-se num terreno rectangular, com uma pendente acentuada, mas constante no sentido Nascente/Poente, usufruindo de uma localização privilegiada, quer pela exposição solar quer pelas vistas sobre o mar, bem como o acesso à orla costeira e à praia.
É um edifício de predominância horizontal, constituído por três pisos de apartamentos, distribuídos por quatro caixas de escadas. No topo Poente, onde o volume tem uma altura de 5 pisos, é marcado por elementos verticais em betão aparente, que contrastam com a horizontalidade do edifício e que além, de funcionarem como elementos de protecção solar, criam uma galeria coberta (de pé-direito duplo) de acesso à zona de comércio/serviços.
Em termos de distribuição aos apartamentos, as quatro entradas têm o acesso efectuado através de uma galeria exterior, disposta ao longo da fachada sul. Esta galeria desenvolve-se a uma cota ligeiramente inferior à dos apartamentos, de modo a lhes conferir mais privacidade, a qual é reforçada por zonas verdes e vazamentos junto das entradas. A galeria remata, a Poente, numa escadaria que liga ao percurso pedonal até à avenida marginal e à praia. A zona de acesso às garagens (pisos -1 e -2) foi desmaterializada, a Sul, integrando espaços de estadia e lazer, pontuados por zonas verdes e elementos estruturais com mobiliário urbano integrado.
A exposição solar e a vista sobre o mar, determinaram a organização funcional dos apartamentos, sendo que todos possuem vista mar, sobretudo os localizados no topo Poente, com vista privilegiada e frontal sobre a praia. Assim, o edifício é bastante transparente a Sul, para onde, de uma forma geral, se abrem salas e cozinhas, sendo pontuado e animado pelos ripados verticais em alumínio. Em contraste, a fachada Norte, onde genericamente se localizam os quartos, é mais opaca, marcada por elementos triangulares revestidos a alumínio, que orientam a vista para o mar, ao mesmo tempo que conferem privacidade e animam o conjunto.
O edifício é ainda marcado pelas escadas exteriores de acesso à cobertura, permitindo, aos proprietários dos apartamentos do último piso, o usufruto de zonas descobertas privadas de lazer e de estar, pontuadas por pequenas piscinas ou jacúzis.
A marcação das lajes, em betão armado, procurou reforçar a horizontalidade e simplicidade do conjunto.
A escolha dos materiais teve como preocupação a durabilidade e a pouca manutenção, de forma a assegurar um bom envelhecimento do edifício.

