Do Largo do Rilvas, e com vista para o Palácio, uma habitação privilegiada no centro de Lisboa.

Fotografia: Gui Morelli Produção: Amparo Santa-Clara

Texto: Mafalda Galamas

Certamente não imaginariam junto ao Palácio das Necessidades que este prédio (antiga morada de serventes) viesse, décadas mais tarde, a ser reformado e transformado em algo tão ‘nobre’. A habitação outrora compartimentada, e partilhada com os cavalos pertencentes à monarquia, é hoje, um charmoso duplex de 160m2, com outros 150 de área exterior.

A reforma conduzida por um antigo diplomata, durante os anos 90 do século XX, resultou numa renovada habitação com grande respeito pelas características arquitetónicas pré-existentes. As janelas e ferragens são as originais, as portadas foram recuperadas e as janelas de bandeira foram reproduzidas à época.

Sem saber, este acabara por se tornar no “templo” perfeito para o novo proprietário. Alguém com especial ligação ao universo espiritual do Tibete. À medida que entramos na habitação percebemos que a atmosfera que se respira aqui é diferente… 

As dezenas de livros sobre meditação, e cultura tibetana em particular, as inúmeras fotografias com mestres espirituais – entre os quais Dalai Lama aquando da sua visita a Portugal -, ou a estátua de Buda, não nos deixam enganar.

É, desde logo na sala, que estão reunidos alguns destes itens. Esta divisão, agora praticamente em open space, é composta por zona de estar e zona de refeições. Na primeira, os traços tradicionais dos azulejos de parede contrastam com o sofá “clássico-moderno” em pele preta.  O candeeiro de pé é art déco, assim como a cómoda de madeira na parede oposta, ambos convivem harmoniosamente com a arca chinesa.

É da zona de estar, junto à janela, que avistamos o jardim com piscina, um espaço privilegiado em plena cidade de Lisboa. Mesmo ao lado, está a chaminé de pedra, uma característica comum nas casas da época e, cuja manutenção, confere charme às dos dias de hoje.

Da parede “salta-nos à vista” o quadro a preto e branco cujas fotos são reveladas em tela com tinta por cima. Estão ainda distribuidos, aqui e acolá, diversos quadros de autores portugueses.

Os degraus semiabertos da escadaria que levam ao primeiro piso são também parte relevante da arquitetura de interiores do apartamento. Ao cimo, um hall onde a figura central é a tela de Julião Sarmento. Fica paredes meias com a suite, despojada do supérfluo ou desnecessário, e com vista para o Tejo!