Por a 19 Setembro 2023

Entre Moncarapacho e a Fuzeta, Olhão e Tavira, esta casa, construída da raiz, observa a Ria, o mar e a serra algarvia a partir das suas fachadas, frontal e traseira. A localização privilegiada assegura-lhe vistas únicas e toda a privacidade possível a quem ali habita em permanência.

Fotografia: Vasco Célio/Stills / Texto: Isabel Figueiredo

Onde antes havia uma construção, entretanto demolida, existe hoje uma casa que se espraia num só piso pela propriedade, a curta distância da Ria Formosa e do mar. O projeto de arquitetura, assinado por Miguel Viegas, com engenharia de Luís Viegas, ambos de Olhão, ficou concluído em 2022, dando origem a uma residência cuja arquitetura respeita a traça típica da região.

São 300m2 de área útil, divididos entre a casa principal, equipada com uma suíte, sala, escritório, cozinha e sala de cinema e TV, e um anexo com três suítes e uma sala, em boa parte usada para pequenos-almoços ou refeições, mas passível de ser convertida noutra suíte. A área exterior está integrada numa quinta com 14 hectares e inclui duas outras casas, fora de vista, que o seu proprietário aluga, separadamente ou em conjunto, e que compreendem mais oito quartos e uma piscina.


O espaço reservado a esta residência – designada a Casa Branca – inclui um terraço generoso, tanques e jardim, duas zonas destinadas a refeições exteriores cobertas, um grande alpendre igualmente coberto, várias açoteias, um pequeno pomar e uma grande piscina natural, com uma ampla zona de areia e um espaço de refeições, aos pés da água, preparado para alojar 12 pessoas, e também ele coberto e inteiramente equipado para cozinhar e servir refeições. O campo de ténis com relva sintética e um pequeno pinhal em crescimento ajudam a compor o grupo de volumes construídos e os equipamentos que o adequam a um habitar confortável, onde nada falta, durante todo o ano.

Habitada em permanência apenas pelo dono, e por amigos e família durante o fim de semana e o período de férias, a Casa Branca observa, quieta, toda a paisagem envolvente. Da parte da frente, o nosso olhar alcança os vários tons de azul da água da Ria e do mar, e estes mesclam-se com os tons de areia, com o verde da vegetação autóctone, com o branco de um casario, ao fundo. Da parte de trás, avista-se a bela serra algarvia, para muitos desconhecida, mas rica em belas paisagens e caminhos sinuosos e uns quantos segredos ainda bem guardados, caso de pequenos restaurantes de beira de estrada onde a mesa é farta em produtos da região. A sua localização permite o contacto com a natureza em toda a sua plenitude, mas também goza da proximidade com os principais serviços, quando a necessidade chama.

Os interiores mesclam peças de várias proveniências e estilos, mas há uma harmonia muito ponderada entre vidros, mobiliário, obras de arte ou cerâmicas. O nosso olhar aponta na direção do painel de azulejos da sala, uma representação do fundo do mar pela mão de Cargaleiro. As áreas são generosas, naturalmente bem iluminadas, e nelas se arruma um estilo de vida descontraído, onde cabem muitos amigos e familiares, sempre que a disponibilidade o permite. Cada recanto, dentro ou fora, guarda uma função. E em cada um deles, toda aquela tranquilidade recebe os aromas da terra. Há espaço para tudo e para todos. Mas a forma como o projeto foi desenhado, e a sensibilidade deposta na decoração da casa, apenas passa a sensação de amplitude e conforto, de forma simples. Sem pretensões.

“Os espaços preferidos da família são, no verão, para o almoço, a zona de refeições na piscina, que permite fazer barbecues, cozinhar no local e comer enquanto se dá um mergulho na água tratada a sal”, diz-nos o nosso interlocutor. “À noite, com toda a família junta, os jantares acontecem debaixo da tenda berbere, nas duas mesas redondas em alvenaria que permitem sentar até 16 pessoas, com vista para a Ria Formosa, o mar e o luar. No Inverno, com menos gente, os nossos lugares preferidos são as três salas com lareira, incluindo a sala de cinema”, conclui.

Mas é o longo alpendre coberto e forrado a buganvílias tingidas de várias cores, que recebe quem ali quiser sentar-se em qualquer época do ano. Um porto de abrigo, um refúgio onde o tempo passa devagar e onde são poucas as fronteiras entre interior e exterior. Onde tudo foi gizado para um habitar sem pressas, longe da confusão, tão perto da Natureza.

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