Autêntico refúgio de luxo na China rural, o hotel Wuyuan Skywells capta a essência de uma época passada, na milenar vila de Yan.

Projeto: anySCALE / Fotografia: Marc GoodwinXia Zhi

O projeto do Hotel Skywells, da autoria do coletivo anySCALE, concentrou-se na preservação, em vez da modernização, de uma propriedade de 300 anos no interior de Huizhou, na província de Jiangxi, no leste da China, algo que não passou despercebido, já que o projeto continua a ser o grande vencedor do circuito de prémios de design deste ano. O hotel recebeu o nome da tradução em inglês de “Tian Jing” – uma característica arquitetónica regional composta por pátios estreitos que permitem a entrada da luz do dia nos quartos circundantes. As honras conquistadas até agora incluem um prémio ICONIC, um prémio RED DOT e um prémio ABB LEAF. O projeto também foi selecionado pelo INSIDE Awards, que acontece no final de novembro em Amesterdão.Os clientes, um casal multirracial anteriormente baseado em Xangai, usaram as suas economias para comprar a propriedade e renová-la, ao mesmo tempo que atuam como seus fieis guardiões, ao invés de serem meros hoteleiros.Um dos principais requisitos era preservar não apenas os artefatos recuperáveis, mas também recriar a grandeza e a elegância associadas à mansão que, devido à sua localização remota, teve a sorte de sobreviver à tumultuada China do século XX. Tendo servido uma vez como uma estalagem para comerciantes que atravessavam a região, o edifício foi alvo de muita negligência durante a maior parte do século XX e foi ainda refúgio dos soldados chineses que lutavam contra a invasão japonesa do continente.A equipa de arquitetos executou todo o projeto de uma maneira que respeitou e honrou a história da arquitetura local e usou os recursos para a restauração de forma a que as gerações atuais e futuras posam entender e apreciar o design tradicional. Tal exigiu o sacrifício de métodos que combinassem características modernas e tradicionais de forma que parecesse atraente para a estética reinante, mas que, no entanto, destruiriam o valor intrínseco da propriedade. Todos os elementos originais e tradicionais das áreas públicas foram mantidos, enquanto os espaços mais privados para os hóspedes foram contemplados com acessórios divertidos e comodidades modernas, com o design de interiores das 14 suítes dominadas por uma mistura de tons quentes e frios combinados com cores ocasionais de acabamento brilhante.Um aspeto único da propriedade era a estrutura de madeira interna, esculpida, das áreas públicas. Para fazer face à destruição de boa parte destes elementos que emolduram o edifício, fruto de grave negligência, a equipa de arquitetos contratou os serviços de Yuzong, um talentoso artesão local com a habilidade e experiência necessárias. Além da restauração básica, Yuzong também fez algumas substituições nos elementos decorativos irrecuperáveis. A substituição destes elementos escultóricos, caso da viga principal na área de entrada, é particularmente significativa, pois emprega motivos inspirados no histórico e na história dos clientes.

Dessa forma, os aspetos culturais da propriedade não só foram revitalizados como foram atualizados para refletir um novo capítulo no legado do edifício. Embora este possua claraboias, os quartos e suítes não apresentam janelas generosas. Para evitar poluir a aparência externa e a arquitetura original, a equipa introduziu painéis de treliça nas paredes que recebem a luz vinda destas claraboias e iluminação artificial de alta qualidade. As paredes de tijolo e barro foram restauradas e reconstruídas de acordo com a tradição local e mantêm a estrutura fresca durante os verões quentes. Em termos de uso de energia, o hotel tem um melhor nível de isolamento térmico e gestão de águas residuais do que o padrão local.

“Este projeto foi um vencedor quase unânime, os elementos do júri ficaram impressionados com a ‘leveza do toque’ das intervenções modernas introduzidas no prédio histórico de 300 anos para fornecer um mínimo de conforto do século XXI necessário na transformação do edifício para uso hospitaleiro. Com interiores cuidadosamente renovados, com charme e a simplicidade Zen, e mantendo a grandeza, a elegância e a beleza das características originais de madeira e pedra, a narrativa histórica do edifício continua viva com os seus novos guardiões preservando o passado para as próximas gerações” – O Júri do Prémio LEAF

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