Intendente e Mouraria: de marginal a hipster

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A zona do Intendente e da Mouraria é a que mais surpreende. Por um lado pela mística da sua história: Transformado em gueto mouro após a independência de Portugal, demorou quase novecentos anos a deixar de ser visto como umas das zonas mais marginais de Lisboa. De área de prostituição e toxicodependência a bairro hipsters, serve de ponto de encontro entre etnias, artistas e livres pensadores. E quem o visita acaba por tropeçar em inusitadas obras contemporâneas.

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Desde o divertido mural ‘Fado Vadio’, assinado por um colectivo de graffiters, à instalação ‘Kit Garden’ de Joana Vasconcelos – uma das artistas plásticas mais conceituadas do país – , ou às exposições de fotografia ao ar livre de Camilla Watson, uma fotógrafa inglesa que se mudou para a Mouraria há quase uma década para montar um estúdio e uma loja. Tudo isto entre supermercados chineses, restaurantes africanos, pequenas galerias e lojas vintage. Do topo da colina, através da parede envidraçada do Café da Garagem do Teatro Taborda é possível observar o bairro de binóculos enquanto se bebe um copo de vinho. Ideal para ver Lisboa a anoitecer, este é um segredo bem-guardado dos lisboetas que dali observam os mil e um telhados daquela zona da cidade. E embora o mundo pareça ter desaguado ali com a presença de tantos imigrantes, os mais antigos hábitos portugueses continuam presentes também.

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Loja, A vida Portuguesa

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Café Teatro Taborda

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Há barbeiros que fazem cortes à navalha, tascas que grelham sardinhas na rua e senhoras que estendem roupa nas varandas. Até a incontornável Cervejaria Ramiro continua a ter fila à porta todas as noites, ao fim de cinquenta anos. Sapateiras suculentas e camarões fritos bem apurados são acompanhados por imperiais (como os lisboetas chamam a pequenos copos de cerveja) servidas com perícia de mestre. Eterna referência dos amantes de marisco, faz parte das tradições portuguesas que os lisboetas tanto apreciam.

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Na imagem o famoso fadista, Helder Moutinho

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Casa de Fados, Maria da Mouraria

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Não é portanto de surpreender que o projeto A Vida Portuguesa, a poucos metros da Cervejaria Ramiro, seja uma das mais bem sucedidas lojas do bairro. Com mais de 400m2, é uma viagem no tempo ao que se consumia em Portugal durante as décadas de 40 e 50, desde panelas a tecidos e loiças (pergunte pelas divertidas peças de Bordalo Pinheiro) ou sabonetes e bebidas que há muito desapareceram dos supermercados. Se gostava de experimentar a Lisboa de antigamente é definitivamente um sítio a não perder.

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Marisqueira Ramiro

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