Para o sucesso do vinho, são vários os  componentes que precisam de interagir. A localização, a videira, o clima, o conhecimento dos produtores de vinho – também os detalhes da arquitetura e a interação de diferentes partes são cruciais. A tarefa de construir espaços para o prazer do desfrute do vinho, em locais selecionados e para necessidades de alto padrão, é algo especial.


A firma de arquitetura vienense Gerner Gerner Plus é uma das especialistas neste campo, e é a responsável, entre outros, pela extensão do hotel Steigenberger, localizado nos vinhedos ao redor de Krems, Alemanha.

No caso deste projeto, a loja de vinhos Weritas em Kirchberg am Wagram, onde mais de cinquenta viticultores selecionados da região apresentam e comercializam os seus vinhos, além de áreas para degustação, vendas e armazenagem, o edifício também abriga um restaurante, salas de eventos e um bar de vinhos no rooftop. Os arquitetos localizaram o edifício de dois andares apontado o sul, numa zona com árvores maduras, que desce abruptamente para oeste cerca de 10 metros, num vale. O edifício é feito de cimento armado, com colunas de aço usadas na área da fachada de vidro. Graças à fachada de fibrocimento cinza-esverdeado e à subsequente modelagem da topografia, o edifício integra-se perfeitamente na paisagem. A caixa de vidro ganha destaque nesta mancha de verde, da paisagem em redor.

No meio dos vinhedos, nos arredores de Jois, a leste da Áustria, em Burgenland, a vinícola Hillinger foi desenhada a pensar na sua envolvente, e na relação entre edifício e paisagem, e como tal está protegida do sol intenso do dia. Apenas a sala de degustação estende a sua fachada de periscópio envidraçada em direção a Leithagebirge e Neusiedler See. Com uma vista fantástica, claro. A dimensão global da estrutura em forma de L, com uma área útil de cerca de 1.500 m2, não é perceptível a partir do exterior, uma vez que a área de produção estava totalmente localizada no edifício enterrado. A simbiose entre paisagem, viticultura e arquitetura foi um enorme desafio para o atelier.

Gerda Gerner: “A condição do solo, a ardósia amarelo-avermelhada e a extrema secura em contraste com a humidade fizeram com que o espaço de obras e a terra ao redor nos condicionassem bastante. Instalámos uma adega de cimento num buraco de oito metros de profundidade, com uma estrutura composta por traves obliquamente dispostas, em cima, para criar a exposição ideal para a produção e a adega subterrâneas.”

A família dos viticultores queria converter uma sala de adega existente, anteriormente usada como uma loja de vinhos, numa sala de degustação e apresentação de vinhos. Toda a produção de vinho – desde o engarrafamento até a disposição final – deveria ser alojada num espaço completamente enterrado no subsolo.
A sala, existente, baixa, foi visualmente levantada por painéis curvos fazendo com que a luz entre sob a forma de fileiras e ‘abram’ o espaço. Numa segunda etapa, o cliente decidiu fazer uso da adega original espaço de armazenamento dos barris de carvalho nela. Através da área de entrada adjacente, os amantes do vinho chegam agora à adega longa e estreita. Conchas de madeira foram usadas nos materiais e equipamentos e o piso foi coberto com uma camada de epóxi vermelha.

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