A casa de Caroline é o espelho da sua vivência, desde cedo, no seio de um ambiente artístico. Tal ajudou a desenhar o seu futuro e inspirou-a nas escolhas aqui refletidas. 

FOTOGRAFIA: RICARDO OLIVEIRA ALVES TEXTO: ISABEL PILAR FIGUEIREDO PRODUÇÃO: AMPARO SANTA-CLARA

Este apartamento, amplo e luminoso, nem sempre foi assim. Situado na Graça, um dos bairros mais antigos de Lisboa, mesmo no largo, o mesmo é dizer mesmo no seu coração, pedia há́ muito alguém que, como a sua atual proprietária, o cuidasse e lhe desse uma nova vida.
Caroline Vogelsang, comprou-o em maio de 2017 e só́ depois das obras, que duraram cerca de um ano, se mudou para lá. Finalmente! 

“Desde 2015 que eu procurava um apartamento de traça antiga, mas confesso que foi difícil ver os meus desejos satisfeitos”, diz Caroline, que queria uma casa que pudesse adaptar ao seu gosto pessoal e ao seu estilo de vida. “Procurava um apartamento que eu pudesse renovar, não um prédio recuperado por inteiro, em que todos os apartamentos são iguais, com os mesmos acabamentos”, relata.

“Finalmente encontrei o que procurava, por mero acaso, num dia que passeava na Graça.” Foi amor incondicional. “Apaixonei-me imediatamente, era antigo, sim, mas tinha charme e era tão feito… o que me deixava muita margem para fazer dali uma casa à medida dos meus sonhos.

Além disso, a situação geográfica é única, com uma excelente vista de ambos os lados – para a Graça e o rio Tejo de um lado e até às Amoreiras do outro”, conta-nos.
A somar a estas qualidades, a velha casa exibia uma exposição solar ideal e uma sala de grandes dimensões com cinco janelas francesas. 

Alojada num prédio dos anos 30, construído como edifício de escritórios – assim descobriu Caroline mais tarde – a casa circula em torno da escada do prédio e tem duas entradas, esquerda e direita. No âmbito das obras feitas, a cozinha foi transferida da parte de trás da casa para a frente, a fim de comunicar com a sala de estar.

Os quartos, três no total e dois deles em suite, foram destinados aos lados sul e oeste. Além das três casas de banho, Caroline diz que haveria espaço ainda para um outro quarto, se não fosse ter adaptado três divisórias à suite principal.

A sua ligação sentimental à casa afigura-se cada vez natural para nós. Espaço, luz, boa exposição solar e a sua localização são predicados importantes. Como nos confirma, esta é uma casa “extremamente prática, que circula, é inundada de luz natural de manhã ao pôr-do-sol, razão pela qual optei por materiais naturais, como o piso de madeira e os mosaicos para a cozinha e as casas de banho, pelas paredes brancas ou, no caso das que receberam alguma cor, pelos tons claros. 

Porque antes o aspeto geral era outro. “O apartamento já havia sido remodelado, mas com materiais feios e baratos e tinha ape- nas uma casa de banho”. Decidiu fazer mais duas, a partir da existente, e adicionar uma outra; também foi feita uma lavandaria a partir de um pequeno espaço de arrumação e refeita toda a parte técnica, água e luz, bem como adicionadas duas janelas, ao lado da cozinha e do espaço do escritório, para aproveitar plenamente a luz natural. 

Hoje, a cozinha e o que está em seu redor é a área da casa favorita, “já que o meu negócio é precisamente fazer restaurantes e hotéis”, revela.
Muito pouco foi adquirido para equipar o espaço. A maior par- te das peças são provenientes de outras moradas que Caroline teve, da Suíça, à Índia, do Egito à Provence. 

“Adoro morar numa casa com um certo charme e como tal os objetos e os móveis têm de ser bonitos, com design intemporal, como as peças de Le Corbusier, Eames, Fritz Hansen entre tantos outros.” 

Os seus pais eram colecionadores de arte contemporânea, a avó era pintora de aguarelas e o padrinho é arquiteto, por isso não estranhamos que o apartamento reflita todas as referências que lhe são tão queridas e próximas desde cedo. “Adoro misturar peças antigas com contemporâneas, no mobiliário, na pintura, no artesanato. Também tenho muitas peças que trouxe de várias viagens, é por isso natural que a maior parte da minha decoração tenha um valor sentimental e muitas vezes uma história para contar”.