Construído em 1810, este celeiro exibia, originalmente, uma tipologia que surgiu com a modernização da agricultura em propriedades ricas durante o século XIX. O edifício original foi muitíssimo bem construído e disposto como uma ‘peça’ de engenharia agrícola, com gado alojado em baixo e uma eira em cima.

Projeto: Type Studio; Fotografia: Rory Gardiner; ano: 2019

O projeto consistiu em restaurar e converter o celeiro de pedra isolado, e em ruínas, de modo a criar uma nova casa no centro de um pequena propriedade ecológica. “Queríamos restaurar o caráter do edifício de uma forma original e que fosse muito claro o que era antigo e o que era novo, mantendo a beleza envelhecida da concha de pedra monumental e o ambiente agrícola selvagem”.

“Queríamos que isso fosse visto na paisagem, reintegrando o telhado de quatro águas com folhas de alumínio para “fantasiar” a forma original do telhado num material leve e reflexivo.”

De modo a preservar as elevações marcantes, não foram feitas novas aberturas, repondo a dinâmica original de luz e espaço do edifício. As novas portas e janelas foram projetadas de forma a que a ficassem recuadas e minimizadas, permitindo a entrada de luz máxima.

As portas pivotantes em arco permitem que as aberturas que foram originalmente feitas para o gado permaneçam indivisas, mas facilmente manobráveis.

“Com a perda do chão e telhado de madeira originais projetámos os elementos para o piso e telhado contemporâneos de modo a evocar o ritmo e a simplicidade encontrados no enquadramento agrícola tradicional. A estrutura do telhado estende-se no sentido do comprimento, utilizando ligações de madeira e aço de pequenas secções, permitindo que a estrutura fique mais alta do que uma treliça convencional, e reforçando a altura, forma e escala do espaço”.

Foram também colocadas várias ‘caixas’ flutuantes nos dois níveis. Estas ‘caixas’ definem e servem as salas principais, mas permitem que o celeiro permaneça aberto e indiviso, mantendo o ritmo da estrutura e a escala do espaço.

Os espaços dos quartos e cozinha situam-se no rés-do-chão, aproveitando as numerosas portas em arco, sendo o piso superior um espaço aberto para viver e trabalhar.

A organização, hierarquia e história do edifício são cuidadosamente expressas por meio de diferentes materiais, com a nova estrutura em abeto, as “caixas” divisórias revestidas em sicómoro claro e as paredes e colunas originais em pedra e gesso de cal.

O celeiro está numa posição isolada e situado numa área de terreno de grandes dimensões. Como parte do projeto, os arquitetos pensaram numa nova unidade de acesso e organizaram novos serviços que servem o edifício. O projeto engloba ainda um programa de desenho paisagístico ecológico, com a realização de horta, margens de flores silvestres, matas e pomar.