A intervenção consistiu na reabilitação de uma habitação localizada em Vila Nova de Cacela no Algarve, no limite entre a malha urbana e o barrocal algarvio. A casa era originalmente constituída por três quartos, uma cozinha, uma pequena sala e uma garagem.

Arquitetos: Atelier Rua / Fotografia: Francisco Nogueira / Área: 90 m² / segundo a memória descritiva, via Archdaily

Construção de natureza tradicional da classe trabalhadora de meados do séc. XX, a casa mantém traços da arquitetura popular Algarvia como é exemplo a açoteia que constrói a cobertura, as suas platibandas e chaminé em  alvenaria rendilhada. 

As alterações a que foi sujeita e a falta de manutenção no seu período de vida resultaram na descaracterização da sua identidade e em patologias construtivas evidentes, principalmente ao nível das coberturas. Era originalmente constituída por três quartos, uma cozinha, uma pequena sala e uma garagem.

Pretendeu-se essencialmente, apesar das alterações tipológicas necessárias ao novo uso, manter a natureza e simplicidade características deste tipo de construção, tanto ao nível dos materiais e da sua aplicação como da sua organização interior.

Devido ao clima em que se insere, a ventilação e iluminação natural foram elementos estruturantes neste projeto, onde bandeiras sobre as portas permitem agora uma permeabilidade constante e a ventilação cruzada entre os espaços. As portas proporcionam privacidade e as bandeiras continuidade. O jogo permanente de planos em alvenaria horizontais / verticais constroem tanto estes elementos como todos os armários, cozinha e casas de banho.

A reorganização do espaço interior permitiu a criação de uma área ampla de estar e refeições que se relaciona diretamente com o pátio exterior, através de janelas transformadas em portas, permitindo uma continuidade na sua utilização.

Foi introduzido um elemento de água que serve para pequenos banhos ou apenas como elemento de frescura. O muro limite do pátio foi substituído por uma estrutura vazada de tijolo de burro funcionando agora como um filtro permeável para o exterior e uma escada leva-nos às açoteias, onde devido à exposição aos ventos e ao sol foi criado um espaço de estar protegido por um muro em alvenaria e uma estrutura leve de ensombramento.  

Na garagem foi criado mais um quarto com um pequeno pátio adjacente, que pela sua localização permite ser utilizado, se necessário, de forma independente.  As materialidades foram repostas, caixilharias de alumínio foram substituídas por madeira e a tijoleira artesanal estendeu-se agora a ambas as açoteias.

Os vãos da fachada principal foram abertos até ao pavimento, mas as portadas por serem seccionadas permitem a sua abertura total ou parcial dependendo da privacidade pretendida.