O máximo respeito pela paisagem circundante e pelos materiais e técnicas construtivas locais está na base deste projeto residencial, em Espanha.

Fotografia Salva Lopez / Segundo a memória descritiva

A Casa Ter, pelo coletivo Mesura, surge de um processo de rigoroso estudo do ambiente cultural e natural em que se insere. As decisões por trás da sua forma e materialidade partem do princípio de ‘ferir’ o mínimo possível o ambiente natural e interpretar a cultura de construção local da área (os campos rurais e vilas de l’Empordà), com o recurso a técnicas de construção contemporâneas. Seguindo esta premissa, a Casa Ter visa criar um sentido pessoal de lugar, em contacto próximo com todos os elementos que o cercam.

A Casa Ter está localizada em Baix Empordà, uma área que funciona como um cruzamento entre três paisagens naturais: mar, montanha e campo. De modo a tornar este contexto tangível para os seus utilizadores, a casa é composta por dois volumes que criam três espaços distintos, cada um ramificando-se numa das paisagens envolventes, tocando o mínimo possível na envolvente natural.

Seguindo as tradições de construção locais da região, as paredes da Casa Ter são compostas de materiais KM0, usando uma mistura de cimento e pedras do rio local Ter com cerâmica, um material com uma longa tradição cultural na vizinha La Bisbal, onde o material constitui uma das principais atividades económicas.

A casa colhe a sua forma da busca pelas diferentes vistas do terreno, em que cada volume se estende para um; o mar, as colinas e os campos. O caminho de entrada da Casa Ter conduz a um pátio fechado gerado por dois volumes em “L” (posicionado na parte plana do terreno).

Um dos volumes funciona como área pública, e o outro é privado, na forma de uma série de camas e casas de banho. O segundo volume une a cozinha à área pública, criando um ponto de encontro entre os dois volumes. Este ponto de encontro foi concebido como um alpendre tradicional, parte interior, parte exterior, visto que o espaço inclui grandes portas de correr em vidro que podem ser fechadas ou abertas consoante o tempo (sombra sempre necessária no verão, fechada no inverno).

No segundo andar, encontramos o quarto principal, que apresenta uma enorme abóbada catalã cuja geometria corresponde à extrusão da curva que se limita à altura máxima permitida, ao eixo das paredes e à fachada da casa.

FICHA TÉCNICA

Cliente: Privado
Localização: Baix Empordà, Espanha
Categoria: Residencial
Mobiliário Nanimarquina, Valeria Vasi, Santa & Cole