Falámos com Elisabete Vila Viçosa, criadora do projeto Mini Mô Gardens que esta semana lança o seu primeiro livro ‘Grandes jardineiros de pequenos jardins’, sobre jardinar…sem jardins! Mas afinal, quem é o rosto por detrás da marca?

Fotografias cedidas por Elisabete Vila Viçosa

Elisabete Vila Viçosa é formada em Animação Educativa e Sociocultural e em Marketing, mas desde tenra idade que acalenta o bichinho pela jardinagem. A paixão levou-a à criação do projeto Mini Mô Gardens e hoje desenvolve mini-jardins personalizados para crianças e graúdos, realiza workshops de jardinagem infantil e em família, e colabora com a revista Jardins. Adora comunicar a Natureza de forma criativa e pedagógica.

Mas, quem, e o que é a Mini Mô Gardens? O que significa este nome e de onde surgiu? A resposta a esta e outras curiosidades, em discurso direto, numa conversa informal com a autora do livro editado pela Livros Horizonte, com fotografia de Paulo Storch.

Como surgiu o nome Mini Mô Gardens?

Surgiu pela sonoridade de uma cantilena que inventei em criança: “Chini mô, môná môná mô-ná má”, nunca a esqueci e até a minha filha Lupe a canta muito naturalmente. A parte do Mini é fácil de perceber, comigo é tudo em miniatura, até mesmo os jardins que são desenvolvidos in loco. O Mô saiu diretamente da cantilena que me é tão querida, e como é também o diminutitivo de Amor, ficou irresistível de usar! Quando me perguntam isto nos workshops, dou sempre um bom espetáculo de cantoria! Quem sabe se um dia não teremos as crianças deste país a jardinar enquanto cantam esta melodia 🙂

Daí à ideia de fazer nascer um projeto de mini jardins… Como ocorreu? 

Estávamos em Novembro de 2016 quando construí um mini jardim de fadas para a Lupe. Na altura ela já tinha entrado para o colégio, após os três primeiros anos em casa comigo, e construir esse mini jardim despertou-me o bichinho adormecido que eu tinha pela jardinagem. Foi muito interessante, porque quando publiquei nas redes sociais esse fairy garden, houve quem o quisesse comprar. Percebi que talvez pudesse existir uma oportunidade de projeto em que eu poderia jardinar, com total controlo criativo e longe do desencanto em que o mercado de trabalho na altura me tinha mergulhado. A autonomia e o espírito de freelancing, que eu sempre acarinhei, aliados à possibilidade de ligar a pedagogia e o meu sentido estético à Natureza deram-me o alento necessário para avançar. Estive mais de meio ano a estudar o que havia no mercado, quais as plantas mais indicadas e os materiais mais eficazes. Desenvolvi um pequeno plano de negócios e com a ajuda de uma grande amiga designer, a Flávia Rodrigues, nasceu a “marca” Mini Mô Gardens. Os meus primeiros clientes foram amigos, que me apoiaram desde o momento em que partilhei com eles a ideia. E eu não podia estar mais agradecida.

E quem é, na verdade, a Mini Mô – a Elizabete ou a sua filha Guadalupe? 

A Guadalupe é com toda a certeza a razão de tudo isto. Se nunca tivesse sido mãe, creio que nunca teria plantado o fairy garden. No início, o seu feedback sobre cada vasinho era o mais importante, porque ela também representava o público-alvo. Todo o imaginário infantil me encanta, as ilustrações infantis são muitas vezes onde mais me inspiro. Com o passar do tempo e com muito trabalho, o meu público-alvo foi evoluindo e atualmente muitos dos mini jardins e até workshops são para toda a família ou mesmo só para os adultos. Os crescidos precisam de recuperar a sua infância no dia-a-dia, reavivar a sua imaginação, explorar o saber fazer brincando, enquanto em contato com a Natureza, e os mini jardins proporcionam tudo isso. O livro nasce também desta necessidade: aproximar as pessoas da Natureza através da jardinagem. Escrevi-o com uma linguagem simples, para as crianças compreenderem, mas tenho a certeza que é um livro também para os adultos. Uma obra que pretende ser de referência e para todas as pessoas, um livro inclusivo. Se eu sou a cara e as mãos deste projeto, a verdade é que sem a Lupe, ele não existiria, e ela continua a ser a minha principal força motivadora. 

É uma criativa que criou o próprio negócio. Como se olha hoje em dia?

Tenho muita dificuldade em me enquadrar numa categoria ou num arquétipo. Em toda a papelada oficial em que é necessário escrever uma profissão, fico sempre com um nó, sem uma resposta óbvia. Jardino sem ser em jardins, dou workshops sem ser formadora, escrevo para a revista Jardins sem ser jornalista, escrevi um livro sem ser escritora, tenho a Mini Mô Gardens sem ser uma empresária! Categorizar a multidisciplinaridade de uma pessoa, nos tempos que correm, é como subvalorizar todas as suas capacidades e campos de ação. Atualmente, acredito cada vez mais que não é o título que ostentamos que nos define, mas aquilo que efetivamente fazemos. Posso abrir a categoria de “Jardinomadora”? 🙂  

Está comprovado que a jardinagem e o convívio com a natureza traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental. E cuidar de plantas pode ser terapêutico, mas jardinar ‘sem jardim’ não é uma tarefa difícil?

É justamente para tornar esse mundo acessível a toda a família que este livro foi concebido, como um manual fácil de consultar, para usar e inspirar, respeitando e convivendo com a Natureza sem sairmos de casa nem do meio urbano.

O livro ‘Grandes jardineiros de pequenos jardins’, é um ABC da jardinagem com explicações passo-a-passo, ideias e dicas para cuidar de plantas em casa, os cuidados a ter e curiosidades interessantes. São mais de 200 páginas com uma linguagem simples, divertida, apelativa, e com um total de mais de 36 atividades para partilhar em família.

Com ilustrações de Laura Thiawe, e fotografias de Pau Storch, esta é uma proposta para envolver todos os membros da família na jardinagem!