O apartamento, em Paris, tem projeto de interiores de Claude Missir e foi pensado para estar em total harmonia com os elementos culturais, artísticos e históricos do bairro onde se aloja.

Fotografia: Giorgio Possenti Texto: Isabel Figueiredo

Quando os clientes decidiram mudar-se para Paris e adquirir um pequeno refúgio familiar no sétimo ‘arrondissement’, lugar icónico da cidade luz, foi a Claude Missir que encomendaram o projeto de interiores da casa. O arquiteto teve de interpretar o seu estilo de vida, adaptar a casa a uma família com três crianças pequenas e com base nisso avançar para a renovação do apartamento, dos anos 60, que exibia, alguma imponência e beleza originais, a merecerem toda a sua atenção.   A energia da ‘belle époque’ francesa e o património arquitetónico envolvente foram um importante contributo para o projeto de interiores.

O apartamento fica na margem esquerda do rio Sena e tem vista para a extensa mancha verde do Champs de Mars e para a Torre Eiffel, além de ser vizinho do famoso Musée d’Orsay. As janelas generosas que se evidenciam nas principais divisões da casa, com três quartos, foram uma ajuda preciosa. Estas aberturas permitem a entrada de muita luz natural e conferem ao apartamento uma luminosidade moderna, mas acolhedora, potenciada ainda pelas paredes brancas e os tetos altos. Por seu turno, as portas são suficientemente largas para permitir a entrada de luz e promover a fácil circulação.

Embora o esquema geral de Missir se baseie num estudo ponderado em beleza e elegância, é enfatizado pela sua abordagem fortemente pragmática. “Reconfigurar o interior por forma a torná-lo funcional também foi muito importante, e preocupei-me em estudar e projetar cada área da casa com especial consideração, porque cada espaço é habitado de forma igual no dia-a-dia”.

O plano retangular facilitou a localização dos quartos em zonas informais, assegurando o seu caráter privado, com quartos e casas de banho posicionados numa extremidade do apartamento e a cozinha, sala de jantar e sala de estar, na outra extremidade.  

A essência da história aristocrática deste bairro famoso pode ser encontrada na escolha dos materiais – que encontra a sua expressão mais exuberante nos revestimentos de alta qualidade usados no apartamento. Nomeadamente, nas paredes de carvalho da Bélgica, vistas nos quartos, salas de jantar e na zona lounge, os azulejos da cozinha e o piso de mármore branco na entrada e nas casas de banho.

Este rigor estende-se à porta de vidro Rimadesio, usada para dividir a cozinha da sala de jantar, e à carpintaria branca de alto brilho da cozinha. O efeito é sofisticado e colorido, graças ainda à escolha criteriosa do mobiliário, das peças de design e pintura.   

A coleção de arte e o mobiliário tem a sua total curadoria e aqui nada está mais. Tal é visível na sala de jantar, onde se destacam as cadeiras de jantar Dualita, estofadas num requintado tecido amarelo, complementadas pelo aparador colorido, projetado por Missir, e pelos dois pingentes de luz Synapse da Apparatus Studio. O mesmo vemos na sala de estar, com mesas de café de Sterlin Ruby e Nadia Pasquer e um tapete de Jan Kath.  É aliás nesta sala que o estilo de Missir mais se revela, refletindo a sua paixão, e a dos clientes, pela arte de um modo geral.


A integração de obras de arte de movimentos contemporâneos significativos, como a Arte Povera, com ícones do design como a poltrona e sofá de Pierre Jeanneret, revela igualmente a mestria de Missir em misturar o antigo e o novo. Mas sem que um se sobreponha ao outro.