Pedimos ao designer português, e autor do blogue Primeira Casa da Rua, que partilhasse connosco as suas reflexões sobre como vai ser a casa pós-COVID. Hoje, a segunda parte desta reflexão, que dá que pensar.


Depois de uma abordagem sobre como vai ser a arquitetura e os interiores da casa pós-covid, hoje a análise incide sobre a chamada casa inteligente, sempre tendo como finalidade o bem-estar do seu utilizador.
Algumas das potencialidades tecnológicas da casa pós-covid já existem, outras são meras suposições para onde a tecnologia pode “caminhar”. Sem a pandemia, possivelmente, passaríamos mais dez anos à espera de muitas funcionalidades que já se encontram disponíveis ou que o vão estar em breve.

A possibilidade de gerir a casa através de um comando de voz é um facto, já é possível e vai ser generalizado. Qual é o primeiro passo? Ter um bom serviço de internet em toda a casa e uma peça central que controle todos os dispositivos e os faça interagir entre si, o chamado “hub”. Este dispositivo vai comunicar com uma App no seu smartphone que vai controlar tudo o que estiver conectado.


Existem inúmeras funcionalidades que facilitam a gestão da casa. Pode conectar todos os interruptores, ou seja, vai poder ligar ou desligar qualquer candeeiro de qualquer divisão com um simples toque, esteja em casa ou no trabalho. Se juntar aos interruptores as chamadas lâmpadas inteligentes também vai poder controlar remotamente a sua intensidade ou cor para criar ambientes diferenciados. Como designer de interiores esta é uma funcionalidade importante.

O aquecimento também pode ser ligado remotamente, permitindo ter a casa com a temperatura ideal quando chega do trabalho. Programar a máquina de lavar roupa para uma certa hora e saber o momento em que termina o programa, controlar o frigorífico ou a aspiração da casa também são funcionalidades hoje permitidas e possíveis – e estes são só alguns exemplos dos numerosos eletrodomésticos que já pode controlar remotamente. Mas há outras funcionalidades que pode utilizar, tais como trancar ou destrancar a porta de casa ou programar os estores para abrir todos os dias a uma hora definida.

As soluções mais avançadas coordenam ainda a ação dos painéis solares para aquecer as águas ou para produzirem eletricidade. Gradualmente, estes sistemas que ainda são dispendiosos também vão estar acessíveis a todos.

Num futuro próximo vamos ter a possibilidade de controlar a intensidade da luminosidade dos “vidros inteligentes”. A casa vai gerir e tornar mais eficaz os recursos disponíveis, nomeadamente, vão existir ligações do “hub” a todas as áreas técnicas, evitando assim qualquer tipo de desperdício, como por exemplo das águas correntes que é tão comum.

E porque o combate ao desperdício na alimentação também é uma batalha da sustentabilidade, no médio prazo, vai existir a possibilidade de gerir os alimentos e os prazos de validade evitando, assim, qualquer desperdício na dispensa ou no frigorífico através de uma App.
Esta não é mais do que uma reflexão para convidar todos a pensarem sobre uma temática tão importante que é a casa e a sua vivência.
A casa inteligente vai facilitar a nossa vida e contribuir para que exista uma maior conexão entre o homem e a natureza, ou seja, uma casa mais amiga do ambiente, mais sustentável.

Nuno Matos Cabral Design Studio / Primeira Casa da Rua