Recuperar a ligação com o jardim, levar a luz para dentro de casa e abrir os espaços à comunicação, visual e humana, estão na base dos trabalhos de renovação e ampliação desta casa.

Projeto: Zuzana & Nicholas; Fotografia: Christopher Frederick Jones / Segundo a memória descritiva

Batizado Annerley House, este chalê de campo foi alvo de uma renovação e extensão para alojar uma jovem família. À semelhança de muitos edifícios do tipo, exibia uma má ligação com o espaço exterior – um alpendre mal construída, entre outros ‘remendos’ do passado, que deram origem a espaços de convívio introvertidos e escuros.

A adição proposta pelos arquitetos do coletivo Suzana & Nicholas foi pensada, e concebida, como uma sala de estar que, ao ser aberta, passa a fazer parte do jardim e permite ligações visuais entre os espaços e através do verde lá fora – o ‘chef’ na cozinha pode conversar com alguém que está no jardim, da mesma forma que um dos filhos concentrado num livro, junto à janela saliente, pode interagir com a sua irmã que brinca na sala de estar, ou uma visita inesperada, aguardando para ser recebida na porta da frente pode ter contacto visual com o anfitrião, no jardim.

Tais relações não apenas permitem uma interligação e melhor acesso à luz e ventilação cruzada, mas também permitem maior generosidade de espaço dentro de uma casa que é pequena.

Materialmente, a sala exterior consiste numa base de betão, que define um assento em torno do seu perímetro, duas extremidades porosas para o jardim com grandes portas de correr e um volume superior revestido de metal numa referência ao telhado existente adjacente.

Um loft dentro do volume superior da adição serve como um espaço ‘extravagante’ para os ocupantes se refugiarem e encontrarem um lugar pessoal para a leitura e a vista para o jardim, em baixo.

Todo o processo de design, desde o início, contou com o apoio do cliente que concordou com a abordagem da reduzida pegada de modo a causar o mínimo impacto ambiental possível, preservar a área de jardim e cumprir um orçamento modesto.

As obras resultaram, portanto, num pequeno aumento da área total da casa, mas representam uma grande transformação da qualidade e funcionalidade dos espaços.