O atelier Splinter Society, liderado por Nicholas e Chris Stan­ley (Melbourne), assina o projeto de remodelação de uma casa de família pouco convencional que abraça a sua história ao preservar as várias ‘camadas’ do passado. A abordagem do design – e a ajuda dada pelos clientes -, baseia-se no respeito pelas várias fase de modernização sem que o património industrial do edifício houvesse sido com isso prejudicado.

Projeto e imagens: Splinter Society / segundo a memória descritiva

O principal objetivo do projeto consistiu em evidenciar o potencial do existente, em vez de substituí-lo por algo totalmente novo. O projeto é antes de tudo um processo de redução para permitir que o caráter do edifício original seja a sua característica principal.

Um ponto de partida chave para tal consistiu em reter e revelar a construção em alvenaria, dando à casa uma aparência inegável de armazém.

Muitos detalhes originais, como as portas em arco e lareiras, foram mantidos em funcionamento. Sempre que possível, as imperfeições das paredes de tijolo são celebradas como uma indicação da sua história.

Nalguns pontos, os panos de vidro foram usados para preencher as lacunas na alvenaria e delinear claramente o que é original e o que é novo.

Ao nível do piso térreo, os tetos de madeira originais também ficaram expostos. Outrora duas casas geminadas separadas, o espaço é agora dividido ao meio por uma parede de alvenaria que percorre todos os andares (três), formando o eixo de circulação. Os níveis são unidos por uma escada que pende desta parede, inspirada numa escada de incêndio industrial.

Dividindo a planta perpendicularmente, um núcleo central forma uma característica semelhante a uma chaminé que se estende por uma clarabóia de 9 m de altura.

Dentro da secção transversal tridimensional, metade da casa foi dividida em áreas públicas, uma divisão para um espaço mais íntimo e um outro que forma o vazio dramático que liga os três andares e a entrada.

O considerável espaço interno é praticamente indissociável do despretensioso exterior de cariz tradicional.

A entrada é recuada em relação à fachada original, criando um pátio de entrada e permitindo que uma fachada de vidro de três alturas forneça o interior com uma quantidade substancial de luz; da mesma forma, permite que os espaços de abram para a grande copa da árvore no seio da paisagem urbana.

A grande porta foi construída com vigas de madeira com 140 anos, recuperadas da demolição.

O equilíbrio é notável entre as áreas de maior dimensão, e com um visual arquitetónico mais industrial, e os espaços íntimos, caracterizados por cores subtis e texturas suaves.

Madeira serrada em cru reveste as paredes e a madeira reciclada dá origem a determinados elementos e volumes que adicionam calor.

Os fortes detalhes em preto nas novas áreas criam um contraste distintamente moderno com a alvenaria do edifício original, ao mesmo tempo que fazem a ponte ao caráter industrial.