O prédio onde este loft está localizado é uma imponente estrutura de betão de cinco pisos com monta cargas e pé direito de cinco metros.

Fotografia: Fernando Guerra/ FG+SG

Apesar do seu tamanho fora do normal, se comparado com um apartamento tradicional, um loft pode ser convertido numa casa especial. “Não foi uma grande procura, foi uma espécie de encontro rápido. Vivia-mos num apartamento relativamente bom no centro de Lisboa mas como a família é numerosa tínhamos de mudar para um espaço francamente maior. Lisboa é uma cidade com pouca oferta de tipologias grandes e, ou são muito caras ou são lotes muito profundos e sem luz. Procurei por armazéns na zona ribeirinha”. Como o dono da casa já trabalhava no Braço de Prata, pode dizer-se que foi uma aproximação natural. “Quando encontrei este espaço, tudo se desenhou rapidamente na minha cabeça. Tem 500 m2 em open space, um grande monta cargas, pé direito de 4 m  uma estrutura de betão cheia de caráter. A cereja no cimo do bolo era a vista sobre a Serra da Arrábida e Palmela, mediada pelo grande espelho do Tejo (diferente todos os dias) e as gruas do Porto de Lisboa”.

Principais transformações e materiais utilizados: “Fizemos a intervenção que fazia sentido a partir da sugestão estrutural e usámos o espaço dentro da mínima compartimentação necessária. Deixámos o caráter do existente impresso nos exuberantes pilares e capitéis ou na ‘grua’ existente pendurada no seu lugar original, mas sobretudo usámos materiais naturalmente aplicáveis a um espaço industrial, como o pavimento em betonilha ou as cores surpreendentes das pinturas epoxy em pavimentos e paredes”.

Evidentemente, foi assegurado o necessário conforto com o recurso a um pavimento radiante que aquece a casa nos dias frios de Inverno. Deslocou-se a intervenção do existente como se se tratassem de “objetos” ou “volumes” colocados estrategicamente no espaço, criando um intimismo entre as áreas sociais e as privadas. E claro, sempre o rio a trespassar a casa de uma ponta à outra.

Viver num loft condiciona? “Viver num loft é completamente diferente de viver num apartamento tradicional mas não condiciona, liberta porque numa casa de família o espaço é também matéria de bem-estar. Esta casa deixou de ser apenas nossa, é também das nossas famílias e dos nossos amigos, cedemo-la para filmagens, etc. Tem uma infinidade de versões. Em função das ocasiões, modelamos o espaço e a luz, mudamos a disposição das coisas. É apreciada entre as mais improváveis idades ou estilos de pessoas”.

Este loft foi decorado pelos seus proprietários: “Os objetos e as obras de arte vão-nos acompanhando e vão sendo adicionados. Todos têm uma história ou vieram pelas mãos de alguém que gostamos. Gostamos de coisas do passado e de coisas que trazemos de passeios, de materiais de boa qualidade, de mobiliário bem desenhado, de tapetes… O critério da sua conjugação é mais emocional”.

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