Um apartamento onde as linhas arquitetónicas ditam a imagem geral

Fotografia: Fernando Guerra | FG+SG

Com uma imagem clean e contemporânea, este apartamento situa-se no primeiro piso de um edifício cuja construção remonta à segunda metade do século XIX, sobre uma faixa de aterro construída na Lisboa ribeirinha do pós-terramoto de 1755.

As suas generosas áreas e dimensão de pé-direito, a abundante luz natural e a conservação de alguns dos seus materiais de revestimento e elementos decorativos originais eram as características que o cliente procurava e aquelas que melhor definem a identidade desta habitação.

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O projeto partiu do desejo de recuperação, conservação e valorização destas características, bem como da proposta de um exercício de interpretação da natureza da arquitetura lisboeta deste período e dos seus elementos matriciais.

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A organização espacial do apartamento correspondia às necessidades do cliente, como por exemplo a existência de muito espaço de arrumação para roupa, que se distribuiu e desenhou nas três divisões centrais. Estes quartos interiores, e o seu conteúdo, foram pensados e desenhados para poderem estar permanentemente abertos, articulando os lados nascente e poente do apartamento e possibilitando uma intermitente, e metafórica, relação visual e espacial entre ambos.

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Na cozinha, de paredes ainda revestidas com os azulejos oitocentistas originais, intervenções recentes haviam introduzido elementos que desvalorizavam o espaço, nomeadamente os azulejos do pavimento e os revestimentos de bancada, os quais, por isso mesmo, acabaram por ser eliminados. Para além da resolução de alguns destes problemas um pouco por todo o apartamento, a sua maioria decorrentes de obras nas imediações e antigas infiltrações, ainda na cozinha o exercício passou pela introdução dos novos soalho, móveis, infra-estruturas e máquinas, acautelando-se a proteção dos azulejos e do móvel de arrumação superior, que se restaurou.

As casas de banho, de desadequada disposição e acessos, foram merecedoras de uma intervenção profunda.

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No quarto principal definiu-se um novo vão de acesso à casa de banho, criando assim uma casa de banho privada e outra, agora maior, de serviço. Ambas foram estruturalmente redesenhadas, com particular ênfase em elementos construídos e revestidos de mármores portugueses rosa e pele de tigre.

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As várias fases de prazos, programas e consequentes adaptações motivaram uma série de escolhas. Integraram-se as novas soluções sem o prejuízo daquelas que se escolheram manter, do velho, do torto, das exceções que já existiam e das que decorreram dos próprios trabalhos de requalificação.

Arquitectos: rar.studio 

Construtor: RVI – Recuperação e Valorização de Imóveis, Lda.